Sábado, 15 de Junho de 2019

ARTIGOS
Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2018, 07h:36

Artigo João Baptista Herkenhoff

Amor ao livro

O destino dos livros seria o esquecimento sem a intermediação dos livreiros e dos bibliotecários porque o livro não tem pernas para andar sozinho.
         O livreiro deve ser um incentivador da leitura, um apóstolo do saber.
         Os capixabas lembram-se com afeto e admiração de Nestor Cinelli, o primeiro grande livreiro do Espírito Santo.
         Nestor vendia livros fiado. Muitos fregueses só pagaram a conta depois que se formaram.
         Dizem que, por causa da televisão, as pessoas estão lendo menos. Não sei. Televisão e livro são veículos diferentes.
         Na televisão eu não posso parar num quadro, como no livro eu me detenho numa página para relê-la e meditar no que li.
        Não posso na TV fazer algo como escrever notas marginais ao texto.
        Não posso colocar a televisão debaixo do travesseiro, como que para continuar a leitura durante o sono.
       Televisão eu não folheio.  Televisão eu não levo comigo para o banco da praça, ou para o consultório médico enquanto espero minha vez de ser atendido.
       Nem posso fazer algo como abrir uma página ao acaso, ou ler um trecho para a esposa, a avó ou a namorada.
       A televisão quer me dominar, não sou sujeito, sou objeto.
       O livro é dócil companheiro, conversa comigo.
       O livro não grita, não cassa minha liberdade, não quer fazer de mim um autômato.
        De televisão eu posso gostar.  Amar, amar mesmo, só o livro eu posso amar.
        Não obstante a disparidade entre o público televisivo e o público que frequenta o livro,
        a influência dos textos produzidos pelo invento de Gutenberg impressiona e espanta.
        Não foi sem razão que, no decorrer da História, os livros foram censurados, apreendidos e queimados pelos déspotas.
       Devo a uma bibliotecária grande parte do amor que adquiri pelos livros.
      Eu a chamava de Dona Telma.  Era a responsável pela Biblioteca Municipal de Cachoeiro de Itapemirim.
      Indicava-me e aos colegas os bons livros.
      Transmitia aos frequentadores de nossa Biblioteca Pública o gosto que ela própria tinha pela leitura.
      Ensinava-nos a conservar os livros com capricho, cuidado e carinho.

                       Sempre gostei de ganhar livros e doar livros.

                       Recebo o presente de um bom livro como quem recebe um tesouro.
 
                       É livre a divulgação deste artigo, por qualquer meio ou veículo.
       É também livre a transmissão de pessoa para pessoa.
 
É juiz ce Direito aposentado (ES), palestrante e escritor.
              Homepage – www.palestrantededireito.com.br
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