Domingo, 18 de Agosto de 2019

BRASIL
Terça-feira, 23 de Julho de 2019, 07h:09

Rota Bioceânica

Bioceânica: pavimentação do Chaco Paraguaio é uma realidade e deverá ser concluída em 2022

Silvio Andrade

Trecho da Rodovia do Chaco, em Carmelo Peralta, sendo preparado para pavimentação

Com previsão de conclusão em 2022, avança pela região do Chaco (Pantanal paraguaio) a pavimentação da rodovia que integrará o Corredor Bioceânico Atlântico-Pacífico. A obra garantida pelo Paraguai consolida o projeto de integração comercial, em discussão há décadas, do qual faz parte a construção da ponte de concreto sobre o Rio Paraguai, entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, também financiada pelo vizinho país.

A implantação da rodovia, que totaliza 497 km – Carmelo Peralta a Marechal Estigarribia, na fronteira com a Argentina – corresponde ao único trecho da Bioceânica não asfaltado. Da Argentina aos portos de Iquiqui e Antofagasta, no Chile, o corredor conta com pavimento de qualidade, percorrido em 2017 pela expedição realizada por empresários do setor de transportes de Mato Grosso do Sul. A nova rota tem 1.900 km, a partir de Campo Grande.

Ao participar do lançamento da licitação para elaboração do projeto executivo da ponte, em ato realizado no dia 20 de julho em Carmelo Peralta, com a presença do presidente do Paraguai Mário Abdo Benítez, o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, destacou a importância da arrojada infraestrutura rodoviária para ligar o Estado à costa do Pacífico. Também realçou o compromisso do Paraguai em concluir o conjunto de obras até 2023.

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Rodovia do Chaco em obras: 497 km, entre as fronteiras do Paraguai com Porto Murtinho e Argentina

Novo Canal de Integração

“Todos ganharão com a abertura desse corredor, o Brasil, o Paraguai, a Bolívia, a Argentina e o Chile, com o incremento das exportações e importações entre os países e a competitividade dos nossos produtos”, disse o governador. Ele também citou o fomento ao turismo e a integração cultural, além da geração de mais empregos e o desenvolvimento da região fronteiriça. “São iniciativas que também fortalecem as relações entre Brasil e Paraguai.”

Para José Alberto Alderete, diretor-presidente da Itaipu Paraguai, “estamos construindo um novo Canal de Panamá da América do Sul, unindo Atlântico e Pacífico”. A multinacional investirá R$ 290 milhões na construção da travessia no Rio Paraguai. O presidente do Paraguai, Mário Benítez, declarou emocionado, ao lançar a licitação da ponte, que a integração física será “o motor de desenvolvimento do meu país, que não tem litoral, e se conectará ao mundo”.

Superar o Chaco é desafio

O grau de dificuldades para pavimentar a rodovia do Chaco Paraguaio, devido às condições de solo e clima e distância do material de compactação, se assemelha ao desafio enfrentado pela engenharia brasileira para implantar 220 km da BR-262, cortando o Pantanal de Miranda a Corumbá, nos anos de 1980. Segundo o engenheiro Paulo Soares, da Queiróz Galvão, empresa que integra o consórcio contratado para executá-la, cumprir prazos é “um combate diário”.

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Paulo Soares, engenheiro responsável pelo primeiro trecho da obra

Soares informou, no entanto, que o primeiro trecho, de 227 km, segue seu cronograma em duas frentes – Carmelo Peralta e Loma Plata -, com previsão de conclusão do primeiro lote em setembro, de 24 km. Esse é o total a ser pavimentado a cada três meses, conforme o contrato. “Estamos transportando pedra de uma distância de 400 km. O material existente é muito úmido e de baixa qualidade, que está sendo melhorado com uma composição com cal e cimento”, disse.

A obra executada pelo Consórcio Corredor Vial Oceânico (Queiróz Galvão e Ocho A, esta empreiteira paraguaia) tem 20 trechos nessa primeira etapa e custará U$ 420 milhões. O primeiro trecho em Carmelo Peralta está com 42% concluído, e de Loma Plata, 39%, incluindo quatro pontes. O serviço está sendo executado na região de maior fluxo de água e conta com 600 operários e 400 equipamentos. A segunda fase, de 220 km, deverá ser licitada ainda esse ano.

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