Domingo, 25 de Agosto de 2019

BRASIL
Quarta-feira, 24 de Abril de 2019, 13h:35

PSL

Candidata que diz ter sido laranja de ministro do Turismo confirma denúncia ao MPF

Zuleide Silva também entregou 25 mil santinhos em dobradinha com Marcelo Álvaro Antônio que não foram declarados à Justiça; ministro voltou a negar as irregularidades.

Por G1 Sul de Minas

Zuleide de Oliveira acusa ministro de chamá-la para ser convidada laranja — Foto: Reprodução/EPTV

A candidata a deputada estadual durante as eleições 2018 pelo PSL, Zuleide Aparecida Oliveira, prestou depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) na última segunda-feira (22). Durante o depoimento na sede da Procuradoria da República de Pouso Alegre, no Sul de Minas, a candidata confirmou denúncias feitas anteriormente, de que foi chamada pelo Ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, para ser candidata laranja. Procurado pelo G1, o ministro voltou a negar as irregularidades e afirma que aguarda a conclusão das investigações.

Segundo a Procuradoria, além de confirmar as afirmações contra o político, Zuleide entregou ao MPF materiais de campanha enviadas pelo partido, que incluem 25 mil santinhos de propaganda, em dobradinha com o Marcelo Álvaro Antônio que, segundo o MPF, não foram declarados à Justiça; além de adesivos de apoio ao então candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, ao lado do atual Ministro do Turismo.

Agora, conforme o Ministério Público Federal, o material deve ser encaminhado para análise de prestação de contas do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/MG). Ainda segundo o MPF, os gastos com a campanha da candidata não foram registrados pelas divisões do PSL em Minas Gerais e nacional.

O pedido do chamado sobrestamento do julgamento das contas de campanha do PSL por oito meses foi feito no dia 6 de fevereiro. A intenção, segundo o MPF, é apurar supostas irregularidades.

Zuleide já tinha sido ouvida pela Polícia Federal no dia 19 de março. Durante o depoimento, Zuleide de Oliveira contou que encontrou Marcelo Álvaro Antônio no ano passado em Belo Horizonte e que ele fez a proposta. Segundo ela, caso fosse candidata, receberia R$ 60 mil do fundo partidário, mas só ficaria com R$ 15 mil para a campanha. Na época, o ministro negou irregularidades e disse que a candidata "mente descaradamente".

O ministro foi procurado pelo G1 e se manifestou por meio de nota. Ele negou irregularidades. Confira a nota na íntegra:

"Reitero que não houve qualquer candidatura laranja no PSL de Minas Gerais e que o partido seguiu rigorosamente o que determina a lei. Já apresentei ao Ministério Público provas de que tudo o que vem me atingido nos últimos dois meses é resultado de uma disputa política local. Sigo confiante no trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça, onde as investigações estão em curso e sigo no aguardo da conclusão das investigações confiante de que a verdade prevalecerá".

Denúncia
A candidata a deputada estadual pelo PSL nas eleições 2016, Zuleide Aparecida Oliveira, denunciou o atual Ministro do Turismo em um e-mail enviado ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais em 19 de setembro de 2018. Na mensagem, ela contou que teria sido induzida pelo partido a ser candidata. No entanto, depois de assinar documentos, não teve mais o respaldo de Marcelo Álvaro Antônio.

Na época, o TRE confirmou o recebimento do e-mail e informou que o procedimento correto seria denunciar ao Ministério Público Eleitoral. O caso veio à público em uma reportagem publicada pelo jornal "Folha de São Paulo", no dia 7 de março.

Após a repercussão, o Ministério Público Eleitoral afirmou que “considerando os indícios de irregularidades na prestação de contas de Zuleide Aparecida de Oliveira, que não foram declarados à Justiça Eleitoral os santinhos mostrados na reportagem da ‘Folha de S.Paulo’, determinou a instauração de procedimento preparatório eleitoral”.

Outras candidatas do PSL mineiro são investigadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público por suspeita de candidatura laranja nas últimas eleições. As investigações apuram a denúncia de que o dinheiro enviado às candidatas teria sido devolvido a assessores do ministro Marcelo Álvaro Antônio.

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