Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019

BRASIL
Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019, 07h:53

Aquário do Pantanal

Magnitude do Aquário do Pantanal vai muito além da estrutura física

Capital será contemplada com o maior centro de difusão do conhecimento da biodiversidade pantaneira do país

Jéssika Machado

Uma das obras mais esperadas pelos campo-grandenses, o Aquário do Pantanal, está prestes a se tornar realidade. Idealizado para ser o maior aquário de água doce do mundo, o empreendimento já nasceu grandioso desde o seu projeto arquitetônico, assinado pelo renomado arquiteto Ruy Ohtake, e promete ser referência mundial não apenas pela imponência da obra, mas principalmente pelo seu potencial científico.

 “É importante ressaltar que o Aquário é um centro de estudos e pesquisas que tem na exposição dos peixes um ponto de apoio de sua sustentabilidade, e não o inverso. Trata-se de um empreendimento turis-científico da biodiversidade pantaneira que visa o desenvolvimento, preservação, divulgação e uso sustentável deste bioma”, explica o vice-governador e secretário de Infraestrutura, Murilo Zauith.

A começar pelos promissores resultados obtidos pelo “Projeto Quarentena”, laboratório montado há quatro anos pelo governo para a manutenção das 189 espécies de peixes que habitarão os tanques, a tendência após a inauguração é incrementar esse banco de dados que já serve como base para consulta da comunidade científica nacional e internacional.

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Pesquisas do laboratório do ‘Projeto Quarentena’, que há quatro anos abriga 189 espécies de peixes, têm atraído o interesse da comunidade científica nacional e internacional

“Temos o maior laboratório de peixes pantaneiros do mundo em que 49 espécies de peixes já se reproduziram, sendo sete registros inéditos no mundo e outros três documentados pela primeira vez no Brasil. Os resultados serão submetidos a publicações nacionais e internacionais. Também recebemos visitantes do exterior, alunos de pós-graduação e professores”, completa o biólogo Heriberto Gimênes Junior, coordenador técnico do Laboratório de Ictiologia da quarentena, que conta com técnicos do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e profissionais da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de MS (Fundect).

“Assumimos o Governo com o proposito de terminar todas as obras deixas por gestões anteriores e o aquário é uma delas. Só não conseguimos concluir essa ainda porque tínhamos uma questão jurídica; com o desembaraço vamos retomar com as licitações a partir de setembro e entregar o que a população merece em respeito ao dinheiro público empregado no projeto”, ressalta o governador Reinaldo Azambuja. 

Outro projeto em andamento é a produção de um ‘Guia Ilustrado dos Peixes do Pantanal e Entorno’ pela equipe da quarentena em parceria com pesquisadores das universidades estadual e federal de Mato Grosso do Sul (UEMS e UFMS); instituições do Pará (Universidade Federal do Pará e Museu Paraense Emílio Goeldi); do Amazonas (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA) e São Paulo (Universidade Estadual Paulista – UNESP e Universidade de São Paulo – USP).

Premiação Internacional

E não é apenas o projeto quarentena que se destacou antes mesmo da conclusão do empreendimento. O projeto paisagístico do aquário, criado por uma equipe de professores, arquitetos e biólogas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), foi premiado no 11º Seminário Internacional da USP (NUTAU), cujo tema foi Águas, projetos e tecnologias para o território sustentável.

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Projeto paisagístico do Aquário foi elaborado por professores, arquitetos e biólogas da UFMS

O grupo de pesquisadores trabalhou junto com Rui Otake para integrar os sistemas em um projeto inédito de recriação da fauna pantaneira fora do seu habitat natural: “Esta é primeira experiência de um jardim com plantas do Pantanal. Temos as áreas alagadas, onde ocorrem certas vegetações como o Buriti; o chaco, área que tem vegetação parecida com o semiárido e um túnel composto de árvores que vivem na sombra”, explica a arquiteta, Eliane Guaraldo, professora de paisagismo e coordenadora da pós-graduação em Recursos Naturais da UFMS, membro da equipe responsável pelo paisagismo.

Retomada

No próximo mês está prevista a publicação de dois editais que marcam o início efetivo da retomada dos serviços. A primeira frente será de ‘Construção Civil’ com a finalização da cobertura metálica seguida da substituição de dez placas de vidros da cúpula. A próxima etapa será a conclusão das monocapas dos pórticos vermelhos e dos forros internos do auditório e da biblioteca. A previsão de conclusão das obras é até o fim de 2020.

Sobre o Aquário

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Instalado no Parque das Nações Indígenas, principal cartão postal de Campo Grande, o centro de pesquisa contará com 32 tanques (24 internos e oito externos) da ictiofauna pantaneira (peixes e répteis), mais de 5,4 milhões de litros de água e um sistema de suporte à vida com condições reais do habitat. O objetivo é fazer do espaço um centro de referência em pesquisas e, para isso, o empreendimento também terá um museu interativo, biblioteca, auditório com capacidade para 250 pessoas, sala de exposição e laboratórios de pesquisa para estudantes, cientistas e pesquisadores.

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