Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018

COLUNISTAS
Quinta-feira, 22 de Novembro de 2018, 08h:59

Bosco Martins

Blog do Bosco

22 Novembro 2018

MEC põe evangélicos em pé de guerra

O presidente eleito Jair Bolsonaro se encontrará, hoje de manhã, com o diretor do Instituto Ayrton Senna Mozart Neves Ramos. Até ontem, a conversa seria proforma. A um ponto, Bolsonaro quis escalar para o ministério da Educação Viviane Senna, irmã do piloto e presidente do Instituto. Ela não concordou, mas sugeriu Mozart que, na semana passada, recebeu uma sondagem e acenou, para o futuro ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni, que aceitaria. Após sair a informação em toda a imprensa, a começar pela repórter Renata Cafardo, do Estadão, a bancada evangélica no Congresso se levantou. “Para nós, o novo governo pode errar em qualquer ministério”, disse à Folha o deputado Sóstenes Cavalcanti, “menos no da Educação, que é uma questão ideológica para nós.” Ao Estadão, o deputado Ronaldo Nogueira foi mais explícito. “Não é veto ao nome, ele é uma pessoa muito respeitada. Mas tem um posicionamento ideológico totalmente diferente dos conceitos e princípios da bancada evangélica. Dois temas cruciais para a bancada são o Escola Sem Partido e a ideologia de gênero.”

Ao longo da tarde, o Instituto Ayrton Senna publicou nota informando que havia um convite para apresentar um diagnóstico e sugestão de caminhos para a educação, mas não para ocupar o ministério. Num tweet, às 19h32, o próprio Bolsonaro indicava o recuo. “Informo que até o presente momento não existe nome definido para dirigir o Ministério da Educação.”

Helena Chagas: “O nome do diretor do Instituto Airton Senna e ex-secretário de Educação de Pernambuco seria talvez o único da escalação de Jair Bolsonaro a agradar de A a Z educadores e especialistas em educação, inclusive gente da esquerda. Seria um caso raro de indicação acima de conflitos ideológicos e políticos, de um professor que se destaca por sua atuação na área — e não por estar, entre os profissionais do setor, representando direita ou esquerda. Mozart Ramos tem longa experiência, é respeitado entre os educadores brasileiros de diversas tendências, foi presidente do Movimento Todos pela Educação, professor e reitor da Universidade Federal de Pernambuco. A pergunta que não quer calar hoje é se Bolsonaro resistirá à pressão dos evangélicos ou se, de fato, a nomeação subiu no telhado.”

Paulo Guedes, o futuro ministro da Economia, quer que Pedro Guimarães ocupe a presidência da Caixa Econômica Federal. Mas os executivos atuais não poderão ser trocados — precisam ser escolhidos pelo conselho da instituição. Sócio do banco de investimento Brasil Plural, Guimarães possui mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro na gestão de ativos e reestruturação de empresas. (Folha)

Outras nomeações de ontem: Gustavo Bebianno vai para a Secretaria-Geral da Presidência. O general Alberto Santos Cruz ocupará a Secretaria Nacional de Segurança Pública. E André Mendonça foi convidado para a AGU. Há também novos comandantes militares.

Aliás… Seguindo o exemplo de Trump, Bolsonaro pode ter a família bem perto em posições oficiais. Seu filho Carlos é cotado para a Secretaria de Comunicação do Planalto, informa o Painel. (Folha)

Matias Spektor, da FGV: “A nomeação de Ernesto Araújo para chefiar o Itamaraty produziu barulho. Esta é minha tentativa de separar o ruído daquilo que importa. Bolsonaro encomendou uma guinada para sinalizar fidelidade ao programa que o elegeu. A transformação começará por Cuba, Venezuela, BNDES e cooperação jurídica internacional. Ainda é cedo para cravar o resto, mas uma coisa é certa: a política externa não será pautada pelas ideias do blog do novo chanceler. Ele assume num momento propício para a mudança, e sua gestão já começa com um trunfo: a tese da diplomacia petista segundo a qual a multipolaridade seria benigna provou estar equivocada. Antes, a competição geopolítica voltou à cena com fúria, ao passo que organismos internacionais acumulam rachaduras. O chanceler também tem a vantagem de servir a um presidente que desconfia da China. As razões para a desconfiança estão equivocadas, mas a intuição geral é correta: há tempos, o Brasil devia ter ajustado sua política externa à ascensão da Ásia. Há espaço para uma diplomacia bolsonarista que não seja um desastre completo? Penso que sim, embora reconheça que as chances de êxito são limitadas. O presidente pode cometer erros de principiante, como fazer concessões aos EUA a troco de nada. Pode atiçar os chineses com Taiwan, pagando um custo que ainda não imagina. O chanceler pode repetir críticas infundadas ao globalismo, embora seu governo saiba que a abertura da economia a um mundo bem regulado é o único caminho para tirar o país do atoleiro. Acima de tudo, o governo pode se dobrar aos grupos de interesse que capturam a política externa. Esses querem manter o país fechado. O maior risco à política externa não é a ideologia. Não foi com Lula, não será com Bolsonaro.” (Folha)

Ricardo Rangel: “Reforma da Previdência: Bolsonaro sempre foi contra, agora parece que é a favor. Os militares aceitam, desde que tenham 23% de aumento de salário (perguntinha: o que tem uma coisa a ver com a outra?). Mourão é a favor, mas criticou a proposta de Armínio. Paulo Guedes é a favor (e é contra dar aumento a quem quer que seja). Onyx Lorenzoni é contra a reforma. Lorenzoni e Guedes bateram boca por isso. Comércio exterior: Bolsonaro hostiliza a China e parece querer se alinhar a Trump. Ernesto Araújo detesta a China e quer se alinhar a Trump. Trump detesta o Irã. Tereza Cristina quer aumentar o comércio com a China e com o Irã. Paulo Guedes quer fazer comércio com todo mundo. Não sei vocês, mas, na dúvida, estou mandando vir um caminhão de pipoca.”

CULTURA

Hoje completam-se 50 anos do álbum que marcou o fim dos Beatles: o Álbum Branco. 50 anos depois, remixado, remoçado e com todas as faixas demo gravadas em Esher, o disco está de volta em várias versões e vários preços, que podem variar de R$ 100 (os dois CDs originais, mais as demos de Esher) a R$ 1.500 (valor ainda estimado) — neste último caso, o material vem em uma caixa de ‘superluxo’ com sete CDs, entre eles um Blu-Ray, e vários encartes. A procura nas lojas e importadoras é intensa. (Estadão)

Para o escritor Joaquim Ferreira Dos Santos, o álbum de 30 músicas daria um bom LP de 12. Ele pôs a seleção numa playlist do Spotify.

Katy Perry é a mulher mais bem paga do mundo da música em 2018, segundo a Forbes. Sua turnê mundial, Witness, rendeu mais de US$ 1 milhão por noite e a cantora ganhou US$ 83 milhões entre junho de 2017 e junho de 2018. Taylor Swift ocupa o segundo lugar da lista, com US$ 80 milhões. E Beyoncé completa as três primeiras posições — ela arrecadou U$$ 60 milhões.

O festival Lollapalooza divulgou ontem seu line-up para 2019. Arctic Monkeys, Kendrick Lamar, Tribalistas, Sam Smith e Post Malone estão entre as atrações principais. O evento acontece em São Paulo nos dias 5, 6 e 7 de abril.

Na Argentina, o festival terá Los Hermanos e Caetano. No Chile, terá MC Kevinho. Veja as diferenças.

O jornal A Cidade, que circulava em Ribeirão Preto desde 1904, deixou de circular. Em sua última edição, na terça-feira, a chamada de capa informava: ‘o mundo é digital’. O site está de pé e segue cobrindo a região.

VIVER

Os adolescentes costumavam experimentar primeiro o álcool, depois o tabaco e depois a maconha. Mas isso mudou. A maconha é cada vez mais a ‘porta de entrada’ para os jovens, de acordo com uma nova pesquisa. Mas isso não é porque eles estão fumando mais cannabis do que nunca, e sim porque estão fumando e bebendo menos, enquanto os números da maconha se mantiveram estáveis. Os autores descobriram isso analisando 40 anos de pesquisas com alunos do ensino médio americano. Em 1995, por exemplo, três quartos daqueles que usavam tanto maconha quanto cigarros haviam experimentado cigarros primeiro. Em 2016, apenas 40% haviam feito isso. Hoje, menos da metade dos adolescentes experimentam álcool e cigarros antes de experimentar a cannabis. Outros estudos também descobriram que, em geral, os adolescentes estão usando menos drogas do que nunca — exceto a maconha.

Por falar… A NASA vai rever a segurança no local de trabalho em dois de seus principais parceiros comerciais: SpaceX e Boeing. O motivo: o uso de maconha pelo CEO da SpaceX, Elon Musk.

O mundo pode enfrentar até seis desastres climáticos ao mesmo tempo até 2100. Entre eles: ondas de calor, secas, escassez de água e inundações. É o que mostra um estudo publicado esta semana pela revista Nature Climate Change. Caso não haja redução significativa das emissões de gases do efeito estufa, os cenários mais drásticos devem se dar em regiões como a costa Atlântica da América do Sul e da América Central. E, de acordo com o estudo, os primeiros sinais da gravidade da situação já estão aparecendo. (Globo)

Aliás… Um novo relatório divulgado pelo Observatório do Clima demonstrou que as emissões brasileiras de gases de efeito estufa caíram 2,3% em 2017 em relação ao ano anterior. Um dos principais motivos foi a fiscalização acirrada sobre o desmatamento na Amazônia, que recuou 12% em apenas um ano. No Cerrado, porém, o resultado foi o oposto: a devastação aumentou 11%. Foi o que impediu uma queda ainda maior no índice total de emissões do país. (Globo)

O mais antigo dinossauro pescoçudo encontrado é brasileiro. O gaúcho de nome científico Macrocollum itaquii tem 225 milhões de anos e é um sauropodomorfo, membro de um grupo também conhecido pela postura quadrúpede, que lembra a de elefantes, e pela predileção por plantas na dieta. Pesquisadores brasileiros descobriram três esqueletos quase completos do bicho em Agudos (RS). (Folha)

COTIDIANO DIGITAL

Pete Bonasso, um engenheiro de sistemas que trabalha para a NASA, está programando HAL9000. Ou quase. Não é a inteligência artificial que rege a nave de 2001, Uma Odisséia no Espaço, mas é uma que faz aproximadamente a mesma coisa: sua missão é coordenar todos os sistemas de uma nave ou estação espacial. Gerenciar se há luzes acesas em ambientes sem gente, se é preciso trazer de volta veículos autônomos que tenham sido deixados longe da base e tudo o mais. Um software com o qual se conversa e que funciona cuidando do ambiente. Vai se chamar CASE — Cognitive Architecture for Space Exploration. “E, caramba, se você disser ‘Abra as portas do veículo, CASE’, diferentemente de HAL, ele respoderá ‘É claro, Dave’’, logo explica Bonasso. “Não temos plano de introduzir paranoia no sistema.” Nas horas vagas, o engenheiro escreve ficção científica (Amazon).

Sem deixar claro exatamente o que ocorreu, a Amazon enviou para um número desconhecido de clientes uma mensagem. “Estamos fazendo contato para que saiba que nosso site, inadvertidamente, divulgou seu nome e email por conta de um erro técnico”, explica. “O problema foi resolvido. Este não é o resultado de nada que você tenha feito e não há motivo para mudar a senha.” Semear desconfiança às vésperas da Black Friday, o maior dia anual de vendas do ocidente, é problema grande. Não está claro como os dados foram vazados ou quem pode ter tido acesso a eles. Ao menos no Reino Unido, o Information Comissioner’s Officer já avisou que a empresa deve divulgar, de acordo com a nova legislação de privacidade digital europeia, os detalhes minuciosos sobre o que exatamente se passou.

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