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Segunda-feira, 20 de Maio de 2019, 08h:48

Bosco Martins

Blog do Bosco

Prática, concisa é a resenha diária de Bosco Martins. Em poucos minutos você já sai de casa sabendo o que há de importante.

20 Mai 2019

Bolsonaro flerta com messianismo e pede povo na rua

O presidente Jair Bolsonaro divulgou ontem, através do seu Facebook, um vídeo no qual o pastor congolês Steve Kunda o declara escolhido por Deus para governar o Brasil assim como Ciro o foi, na Pérsia. “Não existe teoria da conspiração”, afirmou o presidente ao compartilhar, “existe uma mudança de paradigma na política.” No vídeo, falando em francês, o pastor da congregação Orleans Gospel 45, deixa claro que não está fazendo política. “Sustentem esse homem, apoiem-no. Deus falou que os dois primeiros anos dele não serão fáceis. Mas foi Deus quem o escolheu.” (Poder 360)

Na sexta, como revelou Tânia Monteiro, Bolsonaro já havia distribuído por WhatsApp um texto com carga pessimista. “Bastaram cinco meses de um governo atípico para nos mostrar que o Brasil nunca foi, e talvez nunca será, governado com o interesse dos seus eleitores”, afirmou o autor até então apócrifo. “O Brasil é governado exclusivamente para atender aos interesses de corporações com acesso privilegiado ao orçamento. Que poder, de fato, tem o presidente do Brasil? Como todas suas ações foram ou serão questionadas no Congresso e na Justiça, apostaria que o presidente não serve para nada. Bolsonaro não é culpado pela desfuncionalidade, pois não destruiu nada, aliás, até agora não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou.” O texto, sem assinatura, foi escrito por Paulo Portinho, um analista da Comissão de Valores Mobiliários. “Só quis dizer o que está acontecendo no Brasil”, afirmou. Quando perguntado a respeito do que queria dizer com o texto, o presidente limitou-se a afirmar — “Pergunta para o autor, apenas passei para meia dúzia de pessoas.”

Bernardo Mello Franco: “O texto descreve Bolsonaro como refém das ‘corporações’, entre elas Congresso, Justiça e Forças Armadas. No fim, traça um cenário de ‘ruptura institucional irreversível, com desfecho imprevisível’. O tom apocalíptico lembra a carta-renúncia de Jânio Quadros, outro presidente que chegou ao poder com discurso messiânico. Na campanha, brandia uma vassoura com a promessa de limpar a ‘bandalheira’ da política. No poder, perdeu-se em medidas como a proibição da briga de galo e do maiô de duas peças. Em agosto de 1961, Jânio escreveu que desejou ‘um Brasil para os brasileiros’, mas foi ‘esmagado’ por ‘forças terríveis’. A renúncia, sete meses depois da posse, foi uma tentativa frustrada de emparedar o Congresso. ‘Imaginei que o povo iria às ruas, seguido dos militares, e que seria chamado de volta. Deu tudo errado’, ele confessaria, três décadas depois. Bolsonaro já imitou o antecessor nas cruzadas conservadoras. Ao flertar com a radicalização, o presidente sugere que o fantasma de Jânio continuará a nos assombrar.” (Globo)

Pois é… Via Twitter e via WhatsApp, aliados de Bolsonaro estão convocando uma manifestação favorável ao presidente para o próximo domingo. Sugerem, assim como afirma a carta distribuída pelo presidente, que o ‘establishment’ está resistindo ao governo e apenas o povo na rua pode mudar este processo. Os dois grupos responsáveis pelas manifestações pró-impeachment, MBL e Vem Pra Rua, anunciaram formalmente que não aderiram à mobilização. (Antagonista)

A bancada do PSL não está convencida de que a convocação é uma boa ideia. A líder do governo no Congresso vê os atos como um ‘tiro no pé’, informa o Painel. (Folha)

Não acontece todo dia. O ex-presidente Fernando Henrique recomendou, via Twitter, a entrevista concedida pelo ex-presidente José Sarney ao Correio Braziliense.

José Sarney: “A política é a arte do possível. Acho que tem que se lidar com realidades, e a atual é que o presidente não tem maioria dentro do Congresso, nem temos hoje partidos, nem lideranças políticas. A crise internacional de recessão catalisou a crise brasileira. Estamos em um momento da história em que presenciamos não um mundo de transformação, mas um mundo transformado. Temos que lidar com o choque das civilizações, o fim da civilização industrial, o começo da civilização e das comunicações digitais. Temos que lidar com a pós-verdade, com uma sociedade líquida, como bem fixou Zygmunt Bauman. Temos que compreender que estamos, no Brasil, muito atrasados para enfrentar essa crise que o mundo está vivendo. Então, o presidente está tendo que enfrentar esses problemas, todos mundiais. Era o momento de termos um presidente que tivesse uma visão de todas essas modificações que vive o mundo, para poder enfrentá-las. As perspectivas que temos e que estão sendo construídas nos levam a esperar, lá na frente, um impasse grande, que pode ser a pequeno, a médio ou a longo prazo, mas a verdade é que vai ocorrer. Por quê? Porque a Constituição de 1988 criou todas as condições para levarmos o Brasil a essa situação que estamos vivendo. Ela é híbrida, é parlamentarista e presidencialista, deu ao Parlamento poderes executivos e deu ao Executivo poderes parlamentares, com as medidas provisórias que fez. E o Parlamento precisa aprovar todas as medidas que o Executivo tem que tomar.” (Correio Braziliense)

Enquanto isso… Lula está apaixonado e deseja casar. (Época)

…O mesmíssimo Lula, cujo bordão ‘Lula Livre’ que virou dica de gameshow usada pelo filho Zero Três. Isso mesmo. (Poder 360)

Ocorrerá na manhã do dia 23, quinta-feira, a reunião entre representantes de EUA e União Europeia na qual definirão a lista de que países serão encaminhados para entrar na OCDE. Apesar da promessa de Donald Trump, a diplomacia brasileira não espera que os americanos incluam o Brasil. Ao menos, não desta vez. (Folha)

Milhares de pessoas protestaram ontem em cidades da Alemanha, incluindo Berlim e Frankfurt, em favor da Europa e contra o nacionalismo, a menos de uma semana das eleições para o Parlamento Europeu. Veja fotos.

Na Austrália, a conservadora Coalizão Liberal/Nacional, liderada pelo primeiro-ministro Scott Morrison venceu as eleições legislativas no país, contrariando as pesquisas de intenção de votos –até mesmo a de boca de urna–, que apontavam favoritismo do partido trabalhista. Em seu pronunciamento, Morrison disse que sempre acreditou em milagres e que hoje tinha conseguido mais um.

CULTURA

Uma lenda chamada Cher aniversaria hoje. No dia 20 de maio de 1946, em El Centro, California, nascia a cantora, atriz e ativista. São mais de cinquenta anos de carreira, mais de 180 milhões de cópias vendidas no mundo todo, mais de 15 filmes no currículo, indicações ao Oscar, Globo de Ouro e Grammys. Neste vídeo, com David Bowie, numa performance clássica. Pra ver e rever sempre. E cantando Bennie and the jets com Elton John. E seu canal no Spotify, pra escutar o dia inteiro – porque ela merece.

‘A Nordeste de quê?’ A provocação do artista cearense Yuri Firmeza foi o que motivou a exposição À Nordeste, que está em cartaz no Sesc 24 de Maio, em São Paulo, até o dia 25 de agosto. A exposição reúne um conjunto de 275 trabalhos, de fotografias à esculturas, de diversas linguagens e suportes, do barro aos memes.

VIVER

É conhecido como o ‘Hambúrguer Impossível’. O aroma. A aparência. O sabor. Tudo leva a crer que é feito de carne, mas é feito de plantas. E isso graças à ciência. Neste vídeo a WIRED explora a história da ‘carne falsa’ que pretende mudar o mundo com uma parte de planta de soja, uma parte de levedura geneticamente modificada – e uma parte de ativismo.

No Brasil, um hambúrguer feito de vegetais que parece carne acaba de ser lançado. O produto é chamado de Futuro Burguer e foi desenvolvido pela Fazenda Futuro, que se denomina a primeira foodtech do país. A startup criou uma “carne” feita a partir de proteína isolada de soja e de grão-de-bico. O aspecto vermelho, que simula o sangue, segundo a empresa, vem de suco de beterraba. O Futuro Burguer deve ser comercializado pelo preço indicado de R$ 16,99, na embalagem com duas unidades. (Galileu)

O Louvre, museu mais visitado do mundo, bateu recorde de visitação no ano passado – 10,2 milhões, dos quais quase três quartos são estrangeiros (7,6 milhões). O Brasil recebeu, em 2018, 6,62 milhões de turistas. Em comparação com os vizinhos da América do Sul, a situação não é melhor. Segundo dados da Organização Mundial do Turismo, o turismo internacional na América do Sul cresceu 6,3% em 2016 e 8,4% em 2017. França e Espanha são os principais destinos na Europa, enquanto Argentina e Brasil foram os países mais visitados da América do Sul (Nexo).

E o que o governo está fazendo sobre isso? Na última quarta-feira, publicaram o Decreto Nacional de Turismo 2018-2022. Embora pretenda dobrar o número de visitantes, o governo retirou do texto do Plano Nacional de Turismo o incentivo ao turismo LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), que representa 10% dos viajantes no mundo e movimenta 15% do faturamento do setor, segundo dados do plano original (G1).

COTIDIANO DIGITAL

O Google anunciou, ontem, que encerrará sua parceria com a Huawei no mercado de celulares. A empresa da Califórnia avaliou ser obrigada a tomar a decisão após o governo Donald Trump incluir a companhia chinesa à lista negra do comércio americano. Ainda não está claro qual o impacto na chinesa. Como o sistema Android é distribuído por uma licença de código aberto, a Huawei é livre para pegá-lo. Mas seus novos aparelhos não poderão incorporar sistemas do Google como a Play Store — sua loja de apps — e o Gmail. Recém-lançados no Brasil, os aparelhos de ponta da Huawei são considerados no mesmo nível da série Galaxy, da Samsung, e dos iPhones, da Apple. Com uma câmera consistentemente avaliada como melhor.

A perda do ecossistema Google pode prejudicar a Huawei na América Latina e Europa, mas, a médio e longo prazo, pode complicar muito o acesso ao mercado chinês para o Google. A companhia já tem desenvolvido um plano B: um sistema operacional próprio, para o caso de não poder operar mais com a americana. Cerca de 50% de seu mercado está dentro de casa e é cativo. A virada de sistema dificilmente a afetaria dentro de casa. Mas fecha ainda mais o mercado para a empresa de Mountain View.

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