Quinta-feira, 25 de Abril de 2019

COLUNISTAS
Sexta-feira, 01 de Fevereiro de 2019, 13h:20

Crônica do Samá

Lincoln Samá

Pra onde envio a dor?

Corre pelo rosto do Brasil lágrimas de dor, ela vem com uma enxurada de lama fétida, de cor amarronzada, ferindo, doendo, destruindo, matando. Todas as gente se olham perplexo se perguntando como se repete esta tragédia que causa tanto sofrimento? Ninguem pensou uma solução, ninguem por misecórdia estendeu a mão, ninguem se solidarizou, ninguem se importou, ninguem tomou ação curadora. Agora tudo se repete, Mariana chorou de dor, e não foi obra do Destino, não foi coisa do Divino, foi açao do homem... e agora tudo se repete, de Mariana nem suas lamas secou.
Corre as lamas fétidas e assassina, que não vale a dor do povo, corre pelo corpo de Minas, corre pelo solo de Brumadinho, pela pele de cada brasileiro, que olha perplexo, a tragédia que se repete. O mundo acompanha o choro, se solidariza com nosso sofrimento, sofrem todos os que tem um tanto de sentimento, são gente, são almas, são seres que sentem na carne, a dor a correr no rosto do Brasil, como lagrimas de lamas, que são tão salgadas quanto as lágrimas de verdade. Vem com gosto de maldade, vem com sentimento de arbitrariedades, vem como descaso, vem sinonimo de ganho, de riqueza que mata a natureza.
Corre a dor por cada viela do Brasil, por cada rua, estradas, por cada cidade, por cada cidadão e em todos a mesma lágrima de cor de lama, a mesma que ainda nem secou de Mariana e já molha de novo em Brumadinho. Corre essa lágrima de lama, como uma lagrima com ar democratico, a sujar a alma de todos nós, que temos amor a Pátria, e não se pode fazer nada, a não ser chorar e derramar um pouco de lágrimas de verdade, por cima dessa falsa lágrima de calcário, fétida, com gosto de ferro que veio em enxurada de morte.
Corre a dor, por todo a Brasil, e esta dor ninguem a quer. Como Quintana, quereria-mos colocar num envelope e reenviar ao remetente. Mas somos nós o remetente, e esta carta vai voltar a nós quando a postar-mos, e o endereço endereçado não vai encontrar.. a gente não sabe o endereço da gente no futuro! ... sabemos sim, mas não queremos verbalizar, sou eu, é voce, somos nós. 
Corre como lama que escorre, que arrasta as matas, que arrasta as casas, que arrast tudo, que arrasta o futuro dos nossos filhos pra morte, que arrasta as nossas vidas em desgraça, que arrasta os nossos sentimentos pra nossos próprios erros. Corre essa dor infinita por dentro de nós. Que agonia, que bruma que ninguem consegue ver; brumadinho chora com o mundo. Estou com envelope na mão pra enviar minha dor, nossa dor, a quem nos enviou. Fui Eu, grita meu Eu. Somos nós mesmos os remetentes, somos nós mesmos o endereçado no nosso presente, somos nós mesmos os indolentes seres humanos, que por ideais errados, escolhemos o lado errado pra viver. 
Antes de ontem foi Mariana, ontem foi Brumadinho, e o relógio começa a sonorizar, tic tac... alguem tá escutando a dor do som, alguem está a escutar, tic tac... tá enchendo a barragem, vai estourar, não Vale depois dizer que não ouviu o som, que tem o tom de tragédia, tá aproximando de Corumbá. E depois pra onde vamos enviar a dor? Acorda tu que tá visualizando a dor e tem esquecido de fiscalizar. Tic Tac tic Tac... Aqui tem Vale Aqui tem Minério dentro da terra, não há mistério, pode ter tragédia como lá!

VOLTAR IMPRIMIR

COMENTÁRIOS

icon-onibus

Rua Dr. Napoleão Laureano,13 - Bairro Santo Antonio - Campo Grande/MS

fn.jornaldoonibus@hotmail.com - CEP: 79100-370