Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019

COLUNISTAS
Terça-feira, 05 de Fevereiro de 2019, 10h:28

Crônica do Samá

Lincoln Samá

Tudo Fica Melhor

Bom dia meu leitor, antes de contar a sua história, deixa te contar uma história, a minha história. Um tantinho dela. Como disse eu morei no Rio de Janeiro e embarcado em navio da Marinha, tinha meu cão. A conversas nas viagens eram filhos. Alguns com filhos pequenos outros com filhos já crescidos. Os “amigos” de filhos pequenos era um misto de extase, felicidade, prazer, contentamento, afinal era um eu outro ser deles que lhes enchiam os corações de alegria. Os de filhos crescidos meneavam a cabeça, hora concordava, hora se calavam. Eu tinha um cão. Estava portanto na turma dos que tem filhos pequenos, só felicidade. Tudo fica melhor com o cão. Minha breve história.

Sabe qual o “Problema”? Os filhos crescem os cães não. Não é bem assim dirão os filhos, acontece que o cão não raciocina, nós os filhos passamos a reivindicar nossos direitos a tudo. O cão vai sempre se contentar ao que recebe, talvez as migalhas de atenção, de dedicação, de afeto, de ração. Nós filhos passamos a perceber e entender que somos individuos e buscamos fazer as coisas as nossas expectativas, nossas vontades, nossos desejos. O que se esperar do cão, ele não raciocina, recebe o que recebe e se contenta. Nós não. Cão não leva o dono pro asilo.

Mas sempre fui curioso das coisas, procuro não deixar passar nada sem contextação, sem interrogação. Bem mais tarde, cuidando da vida dos marines, fui ser encarregado do pessoal, passei a ter um encontro com os problemas de pais e filhos. Eu como Encarregado do Pessoal, passei a saber das histórias de vida, pois tinha que filtrar e levar as demandas do pessoal. Ai, convivi com problemas familiares, muitos envolvendo relacionamentos de pais e filhos, afinal o que ocorria no lar, desembocava no trabalho. Era o primeiro filtro RH. Quantas histórias vivenciei.

Evidentemente todos tinham suas parcelas de erros, mas via situações de desrespeito, desonra, humilhação, falta de gratidão de muitos filhos com relação aos pais. Tinha por força da função de saber as histórias, e agora passado um tempo depois de embarcado, me deparava com os pais dos filhos crescidos, que mesmo orgulhoso com a procriação, infelizes pela decepção. Quando o rebento nasceu ele fez festa, entrou em extase, prazer, contentamento, felicidade. Agora chegou pra maioria, a conta. Lembrei-me sim do tempo de embarcado, e do meu cão. Filhos pra que, eles crescem e se acham, o cão não.

Numa das histórias que ouvi, via o pai, meu subordinado falando tanto mal da filha, desejando tanto mal a filha, usando de palavras tão torpes e duras, que pedia pra ele parar. Eu dizia: Mas voce ja disse que a Amava, agora tá falando isso. Espera dizia ele, vai chegar sua vez. Eu tinha um cão. Mas tenho uma filha agora, e por mais que tudo aconteça, jamais vou falar o que ele me falou do amor da vida dele. Jamais.

É verdade, o cão é o amigo fiel e tambem é verdade que ele não raciocina, mas tratando-o recalcitradamente mal, um dia ele te morde a mão, mas tem que caprichar e muito, pois ele tem um chip de fidelidade e de amor superior aos seres humanos. Não se pode comparar as duas coisas, o filho logo cresce e esta no dna humano, querer achar que pode e estão sempre certos, o cão não, ele cresce mas o amor permanece e a gratidão não diminue, sempre cresce. Viva os filhos, Viva meu Cão.

 
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