ELEIÇÕES 2018
09.06.2018 | 11h19 - Atualizado em 09.06.2018 | 11h20
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Pesquisa derruba "vitória antecipada" de Odilon, com dois nos calcanhares

"Agora qualquer um [dos adversários] não me assusta. Não sei se haverá segundo turno aqui no Estado. Eu penso que não. Estou convicto de que não haverá segundo turno”.

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Difícil afirmar se tal manifestação provém de excessiva autosuficiência, arrogância, auto-encorajamento ou de uma inocente e admissível provocação em temporada pré-eleitoral. O que causa gênero é que a declaração partiu do juiz federal aposentado Odilon de Oliveira (PDT), o pré-candidato que quer chegar ao Governo de Mato Grosso do Sul ancorado no perfil ficha-limpa da honestidade, da seriedade e da responsabilidade. Com estes itens, que o transformaram na principal novidade entre os inscritos para o enfrentamento sucessório regional, quem sabe outros predicados, como humildade e prudência, sejam supérfluos. Ou não?

O magistrado, cuja carreira o alçou ao topo das referências justiceiras do País como caçador de traficantes, garimpou com sua fama a atenção e o apoio de diversos segmentos da sociedade, alcançando com isso a dianteira das pesquisas. E ele faz desse ranking sua referência  para extrair da probabilidade estatística a certeza matemática-política com que proclama antecipadamente o que vai acontecer nas eleições de outubro próximo.

CENÁRIOS - As pesquisas, no entanto, além de fotografarem momentos específicos e episódicos não servem de base confiável para amparar o que Odilon afirma. Todas as consultas de intenções de voto publicadas até agora indicando, as possibilidades de cada candidatura em diferentes cenários, desmonta a certeza do pedetista. Em praticamente todas elas, mesmo com Odilon em primeiro, a distância que o separa dos seus rivais mais próximos é muito curta, nada folgada. E a soma dos votos projeta a necessidade do segundo turno.

Exemplo atual pode ser conferido na mis recente amostragem, realizada pela Ranking Comunicações e Pesquisas, em que o pré-candidato do PDT não consegue livrar sobre a concorrência uma diferença capaz de liquidar o pleito já no primeiro turno. Longe disso. As taxas de intenção de voto atribuídas ao segundo colocado, o ex-governador André Puccinelli (MDB), e ao terceiro, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), confirmam que a disputa ficou polarizada entre os três, até o momento.

Em 1.200 entrevistas com eleitores de 30 municípios, 2,83% de margem de erro para mais ou para menos e registrada na Justiça Eleitoral (MS-04644/18 e BR-02574/18), a pesquisa Ranking verificou em dois cenários que a tendência de segundo turno está bem delineada e numa balança de igualdade. E com um detalhe significativo: as taxas de indecisos, dos que não souberam responder ou não responderam são bem altas.

Na espontânea Odilon tem 13,33%, Puccinelli 10,58% e Azambuja 10,08%, um quadro reconhecido cientificamente nas pesquisas como de empate técnico. Vêm a seguir o ex-deputado Coronel David, do PSL, e o ex-prefeito douradense Murilo Zauith, do DEM, cada um com 1,58%; João Alfredo, do PSOL (0,25%); e Meire Xavier (0,08%) completam este cenário, ao passo que 62,52%  não sabem ou não responderam à consulta. Só a soma de Puccinelli e Azambuja (20,66%) já leva a decisão para o segundo turno. 

Na consulta estimulada, Odilon surge com 28,08%, enquanto Puccinelli tem 23,41% e Azambuja 22,33%. Os demais: Coronel David (4,16%), Zauith (2,91%), Humberto Amaducci, do PT (1,58%), Meire (0,91%) e João Alfredo (0,50%). Não souberam ou não responderam 16,12%. Também neste cenário e até descontando a presença de Zauith, que não confirmou sua pré-candidatura, o pretndente do PDT não consegue metade dos votos mais um para gargantear a previsão de que sai governador já no primeiro turno.

Respeitado por seu histórico na magistratura e estreante em disputa eleitoral, Odilon de Oliveira não etá brincando quando afirma estar convicto de que não haverá um  segundo turno. Que seus adversários façam a leitura dessa declaração e a comparem com o que desenham as estatísticas quantitativas e qualitativas. Provocação, excesso de confiança, vaticínio instintivo ou arrogância ficam como opções de interpretação. 

Certeza mesmo só uma: para desenvolver brilhante carreira na magistratura, tendo curso superior, doutorado, amplos conhecimentos gerais, domínio de números e letras, o juiz Odilon jamais terá desaprendido regras elementares de matemática. Tanto a da ciência exata como a imprevisível, da política.


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