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05.07.2012 | 17h47 - Atualizado em 05.07.2012 | 18h51
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Mais um golpe à democracia

Kaká Fernandez - Jornal do Ônibus

Em tempos de crise do capital a alternância entre ideologias nos governos é um fato. Verificamos exemplos disso no último período nas eleições europeias. A França, por exemplo, alçou à presidência um socialista, no lugar de um liberal. Trocando em miúdos, quando a crise aperta e sacrifica o povo, o próprio ‘dá o troco’ nas urnas. Mas só na democracia que isso é possível. Na real democracia. Ciclicamente também, nos momentos de crise é que os Golpes de Estado se dão com mais facilidade. E isso é temerário, antidemocrático, injusto. O povo assiste atônito a mudança forçada de poder. A tomada de poder através do golpe é a arma dos reacionários quando a democracia não corresponde às suas expectativas. Mas não só golpes militares, armados se dão. Às vezes disfarçados de democráticos, constitucionais, as forças do conservadorismo tomam de volta para suas mãos àquilo que acham ser seu. A autodeterminação dos povos e a democracia como instrumento profundo de mudanças sociais devem ser respeitados enquanto forças motrizes da capacidade de uma sociedade ter sua independência consolidada. Quando uma dessas forças é abalada a outra tende a fraquejar. No caso do impeachment do presidente paraguaio Fernando Lugo, o que se viu foi que os representantes parlamentares eleitos pelo povo para defender seus interesses passaram a defender o próprio interesse. Nada muito diferente do que se vê ao redor do mundo, mas burlar o sistema democrático, com vestimentas constitucionais para dar Golpe de Estado é uma vergonha. A América Latina já amargou períodos de ditadura e de rompimentos da ordem democrática por diversas vezes. O que assusta é o fato de que o efeito dominó que um Golpe de Estado tende a fazer com as democracias no seu entorno. Isso é histórico e fatídico na América Latina. As mesmas forças que alçaram ditaduras em todos os países latino-americanos são as mesmas que agora operaram o golpe paraguaio contra o povo e contra Lugo. Forças que para muitos jaziam, ou agonizavam, agora se mostram com fôlego para retomar suas atividades escusas. Engana-se quem acredita que o problema paraguaio pouco ou nada nos afeta. Não por nossa ligação quase umbilical com o vizinho paraguaio, ou por nossas raízes comuns, costumes irmãos. Mas sim porque essas forças reacionárias operam silenciosamente no Brasil e vez ou outra mostram suas faces travestidas em bom mocismo e moralidade. A imprensa, não enquanto empresas, mas enquanto voz ativa tem por obrigação denunciar qualquer atitude que, por mínima que seja, abale o equilíbrio democrático. Quando a imprensa se omite desse dever é por dois motivos: Ou a empresa falou mais alto que o dever de informar e fiscalizar, ou os tentáculos dos poderes subterrâneos e antidemocráticos já amordaçaram a voz dos meios de comunicação. Seja como for a verdade é a mesma e já diria o lendário jornalista Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma".

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