Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018

CULTURA
Quarta-feira, 03 de Outubro de 2018, 09h:17

Dançar

Conheça o projeto que usa a dança para unir mulheres de várias idades

Por falta de pagamento, projeto ficou suspenso por cinco anos

Correio do Estado

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Cinco anos depois de as cortinas terem se fechado, as luzes do palco se acendem novamente para o projeto Dançar, mas desta vez serão bailarinos das mais variadas idades em cena. O tempo em que esteve suspenso por falta de pagamento de projetos submetidos e aprovados pelo Fundo Municipal de Investimento Cultural (Fmic) fez com que os alunos antes atendidos encontrassem novos espaços. Com vagas abertas, o coreógrafo e criador do projeto, Chico Neller, deu início a uma nova era. Dançar agora é para todos, dos 5 aos 90 anos.

“Eu já estava cansado. Já fazia 15 anos e todo ano pedindo, implorando por algo para retornar para essas crianças o que é de direito delas”, declara Chico Neller, que é bailarino e, mais do que isso, militante a favor da transformação pela arte. Para 2017, inscreveu “Rememorar – Projeto Dançar” e foi contemplado pelo fundo.

Na dificuldade para conseguir gente, uma vez que o projeto previa incluir 200 crianças, o “Dançar” passou a aceitar adultos e até avós. “Dos 5 aos 90 anos. E eu descobri que é maravilhoso, a gente acha que só adolescente e criança precisam de incentivo e atenção, mas não”, conta. Hoje, Chico recebe pais das crianças que ensinou no passado e jovens que foram aprendizes da dança e agora encaram a faculdade. 

Dos 200 inscritos, efetivamente 170 são ativos que frequentam as aulas sem falta e, desse número, nem 5% já tinham tido algum contato com a arte. “Você colocar em cena é bastante complicado, mas a energia, os depoimentos que chegaram até mim nesses meses, de pessoas que descobriram o próprio corpo, que estavam vivas, emociona”, compartilha. 

Em março, começaram as inscrições e, em abril, os ensaios. Eram três professores ensinando jazz, balé clássico e contemporâneo, em turmas nas quais não foi possível a separação por idades e níveis, mas isso não foi empecilho para que a dança acontecesse. Dona Lúcia Santos de Albuquerque é uma dessas pessoas.

Aos 59 anos e moradora recente do Bairro Taquarussu, a cuidadora de idosos um dia passou pela frente da sede do projeto e perguntou o que era ali. Primeiro, inscreveu a neta, Beatriz, de 5 anos, para depois saber que também poderia fazer parte das aulas.

“Você sabe que na minha idade, se a gente fica parada, começa a dar depressão. Desde que eu comecei a dançar, voltei a ser o que eu era antes de chegar perto dos 60. Eu sentia dores e, olha, agora até meu serviço de casa está rendendo e eu emagreci, além de fazer novas amizades”, relata. A netinha faz balé e adora.

Quando o ensaio de uma é seguido da outra, Beatriz espera a avó sair da aula feliz da vida. E é essa sinceridade de dona Lúcia que traz fôlego para que o projeto continue. 

Os resultados tanto de Beatriz quanto da avó Lúcia serão apresentados no teatro. O que era para ser desfecho terá continuidade. Chico procura parceiros para que a dança do projeto não pare. 

O coreógrafo já antecipa que vê-las no palco será uma grande emoção. “Minha e delas, porque, independentemente da técnica e do ensaio, você tem uma energia ali que é inacreditável. Nossa missão não é formar bailarino, é formar artista, alguém que tenha um olhar mais sensível para o mundo”. 

PARA A COMUNIDADE

O projeto foi criado por Chico Neller, como iniciativa da Ginga Cia. de Dança, em 1997, no Bairro Taquarussu, em Campo Grande. Primeiro, com o objetivo de atender alunos de escolas municipais, o programa foi ampliado para a rede estadual e particular e, posteriormente, para toda a comunidade. Havia até fila de espera para dançar. 

Amanhã, às 20h, o espetáculo “Nós Daqui – Mulungu” marca a volta do projeto aos palcos, no Teatro Glauce Rocha. De forma lúdica, será apresentado o imaginário das manifestações culturais do cerrado brasileiro, por meio de um repertório musical composto de tambores, poesias e canções de domínio público. Falar de nós, de um bioma do qual fazemos uso e nem sequer conhecemos. Onde a tradição aparece fortalecida com conceitos artísticos da contemporaneidade, com ritmos que reincidem em outra dimensão, outra velocidade, outro tempo.

A entrada é gratuita e os convites são distribuídos no projeto Dançar, na Rua Brigadeiro Tobias, 956.

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