Domingo, 21 de Julho de 2019

CULTURA
Quarta-feira, 17 de Abril de 2019, 07h:19

Aquarius

MIS abre discussão sobre especulação imobiliária e sexualidade na 3ª idade com filme Aquarius

Karina Medeiros de Lima

O Museu da Imagem e do Som (MIS-MS), em parceria com o Cineclube Árvore-ser, exibe nesta quarta-feira (17.4), às 19 horas, o filme Aquarius, dirigido por Kleber Mendonça Filho. O evento é aberto a todos os interessados, com entrada franca. A classificação é de 18 anos.

Aquarius (2016, 2h26min) narra a história da jornalista aposentada Clara (Sônia Braga), que defende seu apartamento, onde viveu a vida toda, do assédio de uma construtora. O plano é demolir o edifício Aquarius e dar lugar a um grande empreendimento. No elenco, Sônia Braga, Humberto Carrão, Maeve Jinkins e Irandhir Santos.

Clara é uma viúva de 65 anos, última moradora do edifício que dá título à obra, na orla da praia de Boa Viagem, no Recife. No decorrer do filme, acompanhamos o dia a dia da protagonista, sua relação com seus amigos e familiares, e a investida de uma construtora que pretende comprar o prédio a todo custo, visando erguer um mais moderno no local. O longa-metragem aborda temas como especulação imobiliária, passagem do tempo e memórias, e discute ideias pré-concebidas sobre a vida e sexualidade de uma mulher na terceira idade.

O filme foi inspirado no Edifício Caiçara, erguido na década de 1930 e parcialmente demolido em 2013. Os planos iniciais eram que o longa fosse gravado no próprio Caiçara. Contudo, a demolição deste acabou impossibilitando a equipe de realizar as filmagens na locação. Com isso, as cenas tiveram que ser rodadas no Edifício Oceania, um prédio vizinho e com características bem parecidas com as do Caiçara.

Trata-se do primeiro trabalho de Sônia Braga no cinema brasileiro em quinze anos. O diretor Mendonça Filho convenceu a atriz a fazer três semanas de ensaio antes das filmagens. Braga está em praticamente todas as cenas do filme, exceto no prólogo, e sentiu que o roteiro transmite muito dos seus próprios pensamentos sobre a sociedade brasileira. O longa foi premiado em diversos festivais, entre eles o Festival de Sidney, Festival de Transatlantyk e Festival World Cinema Amsterdam, nos quais venceu como Melhor Filme.

O Cineclube Árvore-ser, que é parceiro do MIS nesta exibição, é um projeto independente de estudantes universitários, que surgiu em 2016 com o objetivo de proporcionar o acesso à cultura na cidade e provocar o debate sobre temas ligados à filosofia e educação. O início das atividades do Árvore-ser foi com o Café Filosófico na Casa Fernando Pessoa, no bairro Villas Boas, em abril de 2016, como ideia do estudante de Filosofia da UFMS, Alyson Ladislau. A parceria com o MIS iniciou-se no ano passado, com a exibição de Blade Runner.

Um dos integrantes do Cineclube, o estudante de Arquitetura da Uniderp, Douglas Setorowicz, explica que o nome do grupo surgiu a partir da obra de Manoel de Barros. “Arvore-ser é a pessoa que tenta evoluir a partir disso, do estado de ser árvore. Visamos trazer pessoas novas para, com o objeto do filme, tratar da nossa realidade, para trazer algum tipo de debate para refletir sobre algumas situações da nossa realidade. A gente tenta fazer essa interação das pessoas com a cultura e a educação”.

Serviço: Exibição do filme Aquarius, em parceria com o Cineclube Arvore-ser. Dia 16 de abril, quarta-feira, às 19 horas. Entrada franca. Classficação indicativa: 18 anos. O MIS fica no 3º andar do Memorial da Cultura e Cidadania, na avenida Fernando Corrêa da Costa, 550, Centro. Telefone: (67) 3316- 9178. O Cineclube divulga sua agenda nas mídias sociais: https://www.facebook.com/arvoresendo. 

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