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Quarta-feira, 03 de Abril de 2019, 07h:29

Juntos por Campo Grande

Parceria entre Prefeitura e Governo garante moradia para 1000 campo-grandenses

O prefeito Marquinhos Trad e o governador Reinaldo Azambuja assinaram, nesta terça-feira (2), uma autorização de aporte de recursos para a retomada das obras do Residencial Rui Pimentel I e II. Com 260 unidades habitacionais, os residenciais garantirão moradia para mais de mil campo-grandenses, que se encontram em situação de vulnerabilidade.

O residencial foi contratado em 2014, por meio do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV), com recursos do FAR (Fundo de Arrendamento Residencial), do Governo Federal. Entretanto, a empreiteira contratada à época pelo agente financeiro e detentor legal deste empreendimento – Caixa Econômica Federal -, decretou falência, com cerca de 90% das obras concluídas.

Diante de cláusula do Minha Casa Minha Vida, que impede a entrega parcial de unidades habitacionais de interesse social, as obras ficaram paralisadas cerca de dois anos após o início das construções. Agora, com a parceria entre Prefeitura e Governo, os moradores realizarão o sonho da casa própria.

Obras-Residencial Rui Pimentel 1 e 2-Foto: Chico Ribeiro

“Conseguimos destravar um empreendimento que já era para estar pronto desde 2016. São várias pessoas que  vão sair do aluguel e colocar sua família em um abrigo. Ainda bem que Deus tem visto o esforço daqueles que tem agido com transparência e com coração”, declarou o prefeito Marquinhos Trad.

O governador Reinaldo Azambuja destacou a parceria entre o Governo e a Prefeitura de Campo Grande, que possibilitará a entrega de 2.958 moradias até o final de 2020. “Essas construções estavam paralisadas. Imagina a aflição destas famílias. Já entregamos, em Campo Grande, 2.059 moradias e estamos em construção de 2958. Todas elas serão entregues e finalizadas até o final do ano que vem”, afirmou o governador.

O superintendente da Caixa Econômica Federal, Evandro Narciso de Lima, enalteceu o empenho da Prefeitura e Governo do Estado para a entrega da obra. “Todo mundo, buscando, de fato, o bem maior, que é a conclusão deste empreendimento. Se não tivéssemos a parceria da Prefeitura e do Governo do Estado, não teríamos colocado uma empresa lá dentro para concluir este empreendimento. Em setembro, se Deus quiser, estaremos entregando esta obra”, garantiu.

Obras-Residencial Rui Pimentel 1 e 2-Foto: Chico Ribeiro

Desde 2017, início da atual gestão do Executivo Municipal, uma das prioridades da Agência Municipal de Habitação era destravar os recursos federais para o término das obras do residencial Rui Pimentel. Após diversas negativas do Governo Federal em liberar os recursos necessários para a conclusão das obras, em uma ação inédita entre Prefeitura de Campo Grande e Governo do Estado, ambos se comprometeram a aportar os recursos requeridos, a fim de entregar as unidades habitacionais o mais rápido possível.

Contrapartida – Por intermédio da Agência Municipal de Habitação (EMHA), serão aportados R$ 447.047,41 para a finalização das 124 casas que tiveram a demanda de famílias selecionadas pela Agência.

Isso só foi possível após a instituição dos programas inovadores de renegociação de dívidas e titularidade de mutuários junto à EMHA. Ações ostensivas, mutirões nos bairros para a conscientização dos beneficiários sobre a importância do pagamento de suas parcelas, além do trabalho intenso junto às comunidades atendidas pelos empreendimentos da EMHA, propiciaram a recuperação financeira da Agência que, em janeiro de 2017, enfrentava alta taxa de inadimplência.

Obras-Residencial Rui Pimentel 1 e 2-Foto: Chico Ribeiro

Recursos próprios

Após 26 anos sem investir em unidades habitacionais com recursos próprios, desta vez a EMHA foi capaz de aportar o valor requerido para a retomada das obras no Residencial Rui Pimentel.

“A obrigação do Governo Federal era aportar os recursos indispensáveis para a conclusão das obras deste empreendimento. Por várias vezes tentamos viabilizar junto ao agente financeiro o destravamento das obras, mas todas sem sucesso. É preciso ressaltar que esta obra poderia permanecer abandonada, já que integra um programa federal de habitação de interesse social. Porém, estamos trabalhando em uma gestão municipal transparente, humanizada e preocupada com essas famílias que aguardavam ansiosamente por boas notícias. Como não as tivemos de Brasília, resolvemos viabilizá-las por aqui mesmo, nessa importante parceria com a Agehab”, explicou o diretor-presidente da EMHA, Enéas Netto.

Cosntução de casas no Residencial Rui Pimentel - Foto Edemir Rodrigues

Emoção e expectativa

Para Kátia Adriana Amaral Pereira, 49 anos, é grande a expectativa de receber as chaves de sua casa própria. Desde 2013, a beneficiária foi chamada para assinar o dossiê na EMHA e no momento enfrenta uma batalha pela sobrevivência de sua família. “Tenho uma neta com oito anos, portadora de diabetes funcional. A minha filha, mãe da criança, mora comigo, com seus três filhos. No momento, ela está grávida do quarto, que, inclusive, já está para nascer. Como ela tem esquizofrenia, não trabalha e eu preciso cuidar delas. A minha mãe me ajudava muito, mas faleceu há um ano, então as dificuldades aumentaram”, relata.

A beneficiária afirma que agora está a um passo de realizar o sonho de receber sua moradia social. “Eu morava de aluguel e agora estou em uma casa cedida, mas a dona está pressionando para que eu entregue o imóvel. No momento, eu fico mais em casa, pois a minha filha tem crises e não pode tomar a medicação para combater a doença por causa da gravidez. Essa casa vai resolver a minha vida”, diz com convicção.

Cosntução de casas no Residencial Rui Pimentel - Foto Edemir Rodrigues

Já Ana Raquel Rodrigues Nojosa, 28 anos, também enfrenta uma luta com sua filhinha especial. Ela, que não trabalha, pois precisa acompanhar a menina durante os tratamentos necessários, também mora em casa cedida por terceiros. “É a realização de um sonho ser contemplada, que agora vai se concretizar.”

Diane Caroline Medradi Longo, 31 anos, foi selecionada para o Rui Pimentel pela EMHA. Ela trabalha como assistente de educação infantil e aguarda há quatro anos a finalização e entrega do empreendimento. “Hoje eu moro em uma casa cedida pelo meu ex-sogro. Então, a minha expectativa é que estou com mais fé agora. É um sonho que a gente tinha de receber a casa. Com o passar dos anos e com a demora, fui ficando angustiada, mas estou muito feliz porque o pessoal da EMHA está dando essa força para nós. Não dá nem para acreditar que o nosso sonho está mais perto de ser realizado do que a gente imagina”, finalizou.

Rui Pimentel I e II

O Residencial Rui Pimentel I e II, localizado no Bairro Centro-Oeste, região urbana do Anhanduizinho, é composto por 260 casas, sendo oito adaptadas a PCD (Pessoas Com  Deficiência). Cada unidade habitacional possui 38,38 metros quadrados e as adaptadas têm 40,12 metros quadrados cada.

As moradias possuem sala, cozinha, dois quartos, banheiro e área de serviço. O empreendimento possui centro comunitário, playground e infraestrutura com pavimentação asfáltica, drenagem, energia elétrica, rede de água e esgoto. O aporte inicial de recursos via FAR foi da ordem de R$ 13.813.858,33.

Cosntução de casas no Residencial Rui Pimentel - Foto Edemir Rodrigues

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