Sexta-feira, 16 de Novembro de 2018

ECONOMIA
Segunda-feira, 09 de Julho de 2018, 08h:22

Inflação

Inflação na Capital disparou em junho

Calculado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais da Uniderp, IPC/CG foi de 1,17%

Weber Shandwick

O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) de junho, que representa a inflação da Capital, fechou o mês em 1,17%, de acordo com o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Uniderp. O indicador é superior à taxa de maio (0,21%) e é o maior da série histórica do Nepes já registrado para junho, desde o ano de 1996, quando foi de 1,57%.

Na avaliação do coordenador do Nepes/Uniderp, Celso Correia de Souza, o mês de junho é, tradicionalmente, um período de inflações muito baixas, mas a greve dos caminhoneiros - que começou no final de maio - fez com que a inflação atingisse um alto patamar, afetando, principalmente, o grupo Alimentação, que fechou junho com uma alta de 3,22%, totalmente atípica para esse período.

"Já não se pode dizer que a inflação acumulada de Campo Grande fechará o ano de 2018 com índice abaixo dos 4,5%, considerado o centro da meta de inflação do Conselho Monetário Nacional (CMN), como era esperado antes da greve dos caminhoneiros. O país sofreu esse impacto da paralisação que, certamente, ainda terá reflexos na inflação dos próximos meses. Além disso, outro problema que pode transcorrer ao longo do ano e influenciar no aumento inflacionário, principalmente, relativo ao grupo de Alimentação, é que a safra agrícola de grãos do biênio 2017/2018 será 7% menor que a anterior, podendo atrapalhar a regulação dos preços de produtos alimentícios", explica o pesquisador. O alto valor do dólar que, a longo prazo, pode causar inflação devido aos produtos importados como trigo, máquinas de alta precisão, eletroeletrônicos e gasolina, também são elencados por Celso Correia.

O resultado elevado em junho foi reflexo, também, da alta no grupo Habitação, que teve índice de 1,81% e peso de 0,58% para o cálculo do indicador mensal. "A energia elétrica, que teve a bandeira alterada para vermelha nível 2, e o gás de cozinha impactaram fortemente o grupo", acrescentou Celso. Além da Alimentação, com índice de 3,22% e contribuição para o índice de inflação de 0,66%, a Educação, ficou com taxa de 0,50% e colaboração de 0,05% para a formação do índice e o grupo Saúde, com resultado de 0,47% e participação de 0,04% para a inflação do mês.

Os outros três grupos do IPC/CG apresentaram deflações e ajudaram a segurar que a elevação da inflação de junho fosse ainda maior. Foram eles: Transportes (-0,56%), Despesas Pessoais (-0,44%) e Vestuário (- 0,54%). "Fatores que poderão ajudar na redução da inflação este ano são, infelizmente, a continuidade do alto nível de desemprego no país, os altos juros praticados na economia, o alto nível de endividamento da população, fazendo com que haja queda de demanda, inclusive, em produtos de alimentação", revela o professor da Uniderp.

No acumulado de 2018, ou seja, o total de seis meses, a inflação passou para 2,10%, um índice já muito próximo de 2,25%, que é a metade do centro da meta do CMN para o ano todo. "Não dá para afirmar que a inflação neste ano de 2018 ficará abaixo dessa meta de 4,5%, como aconteceu no ano passado, ano de 2017, em que a inflação anual foi de 2,60%", complementa Celso. No acumulado dos 12 meses, a taxa ficou em 3,43%.

Maiores e menores contribuições

Os 10 "vilões" da inflação, em junho:

• Gasolina, com inflação de 7,39% e contribuição de 0,31%;
• Energia elétrica, com inflação de 4,39% e contribuição de 0,25%;
• Gás em botijão, com inflação de 8,77% e participação de 0,22%;
• Batata, com variação de 50,34% e colaboração de 0,13%;
• Leite pasteurizado, com acréscimo de 9,34% e contribuição de 0,10%;
• Pilha, com variação de 22,32% e colaboração de 0,05%;
• Acém, com acréscimo de 5,92% e contribuição de 0,05%;
• Papelaria, com reajuste de 4,85% e participação de 0,05%;
• Costela, com elevação de 7,96% e colaboração de 0,04%.
• Alcatra, com acréscimo de 3,29% e contribuição de 0,04%;

Já os 10 itens que auxiliaram a reter a inflação, com contribuições negativas foram:

• Diesel, com deflação de - 9,54% e contribuição de - 0,35%;
• Etanol, com redução de - 1,64% e colaboração de - 0,04%;
• Cinema, com decréscimo de - 6,68% e contribuição de - 0,04%;
• Calça comprida feminina, com baixa de - 3,84% e colaboração de - 0,02%;
• Paleta, com queda de - 7,36% e participação de - 0,02%;
• Bebidas não alcoólicas, com redução de - 2,06% e contribuição de - 0,02%;
• Blusa, com decréscimo de - 2,02% e colaboração de - 0,02%;
• Absorvente higiênico, com queda de - 7,60% e participação de - 0,02%;
• Short e bermuda masculina, com diminuição de - 3,08% e participação de - 0,02%;
• Sapato feminino, com baixa de - 3,45% e contribuição de - 0,02%.

Segmentos

O grupo Habitação, que possui o maior peso de contribuição para o cálculo do índice mensal, apresentou inflação expressiva: 1,81%, puxada pela elevação de preços do gás em botijão, devido à greve dos caminhoneiros, e da energia elétrica, devido a implantação de bandeira vermelha nível 2, por conta da entrada em operação de usinas termoelétricas que produzem energia elétrica a um custo mais elevado.

Pelo segundo mês consecutivo, o grupo Alimentação registrou alta e fechou com índice de 3,22%, um resultado completamente atípico para essa época do ano, na avaliação do professor Celso. "Essa fortíssima inflação foi devido à greve dos caminhoneiros, iniciada final do mês de maio, que provocou desabastecimento de produtos, provocando aumentos generalizados nos preços. É possível que nos próximos meses, com a normalização da distribuição de produtos de alimentação, os valores voltem aos patamares anteriores, pois, o nível de emprego no país tende a não crescer nesse curto período, os juros continuam altos, como também, o endividamento da população, que acabam afetando o consumo", analisou.

Os maiores aumentos de preços que ocorreram em produtos desse grupo foram: batata (50,34%), mamão (29,39%), limão (28,40%), entre outros. Fortes quedas ocorreram com: cebola (-12,54%), presunto (-8,51%), milho para canjica (-7,75%), entre outros.

Dos quinze cortes de carnes bovina pesquisados pelo Nepes/Uniderp, onze aumentaram de valor. São eles: picanha (11%), coxão mole (9,51%), costela (7,96%), cupim (7,16%), acém (5,92%), filé mignon (5,43%), alcatra (3,29%), patinho (3,04%), músculo (2,33%), vísceras de boi (1,54%) e peito (0,38%). Quedas de preços ocorreram com paleta (-7,56%), lagarto (-5,67%), contrafilé (-2,50%) e fígado (-1,80%).

"A redução do valor da carne nos primeiros meses do ano de 2018 fez com que aumentasse a demanda pelo produto, provocando uma reação nos preços. Esse produto não foi muito afetado pela greve dos caminhoneiros, pois, sua produção é regional. Por outro lado, esse aumento pode estar acontecendo devido a escassez de boi gordo para abate com o início da entressafra desse produto", considera o professor.

Quanto aos cortes de carne suína, todos os cortes tiveram quedas de preços, sendo a costeleta -3,61%, o pernil -2,55% e bisteca -2,35%. O frango resfriado teve aumento de preço de 2% e os miúdos de 5,96%.

O grupo Transportes apresentou deflação de -0,56%, resultado motivado, principalmente, pela queda de preço do diesel (-9,54%), concedida pelo governo após a greve dos caminhoneiros. Reduções de preços também ocorreram com passagens de ônibus intermunicipal (-1,84%) e etanol (-1,64%). Já os destaques de aumento foram com a gasolina (7,39%) e passagem de ônibus interestadual (2,61%).

A Educação fechou maio com índice de 0,50%, devido a aumentos de preços em artigos de papelaria (4,85%).

O grupo Despesas Pessoais fechou em -0,44%. Entre os itens com elevação estão: protetor solar (3,14%), creme dental (3,02%), sabonete (0,70%), entre outros. Quedas de preços ocorreram com cinema (-7,60%), hidratante (-6,68%), papel higiênico (-2,48%), entre outros.

Já o grupo Saúde encerrou o mês com 0,47%, puxado por aumentos de produtos como o antigripal e antitussígeno (1,24%) e o anti-inflamatório e antirreumático (0,31%). Reduções foram identificadas com o curativo (-3,74%) e radiografia (-2,99%).

Finalizando o estudo, Vestuário foi outro grupo que ficou em baixa: - 0,54%. O resultado está ligado às liquidações de coleções no varejo de Campo Grande.

IPC/CG

O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) é um indicador da evolução do custo de vida das famílias dentro do padrão de vida e do comportamento racional de consumo. O IPC busca medir o nível de variação dos preços mensais do consumo de bens e serviços, a partir da comparação da situação de consumo do mês atual em relação ao mês anterior, de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. A Uniderp divulga mensalmente o IPC/CG via Nepes.

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