Segunda-feira, 20 de Maio de 2019

ECONOMIA
Terça-feira, 07 de Maio de 2019, 07h:42

JBS

Valor da JBS salta R$ 24 bilhões em quatro meses

Maior alta do Ibovespa em 2019, empresa que tem família Batista e BNDES no quadro de acionistas viu valor de mercado saltar R$ 24 bilhões em quatro meses

Valor Investe

A JBS nunca valeu tanto na bolsa — mais de R$ 55 bilhões no pregão de ontem. Nos últimos doze meses, nenhuma companhia do Ibovespa (principal índice de referência da bolsa brasileira) se valorizou tanto como a gigante brasileira das carnes. Nesse período, as ações avançaram nada menos do que 146%, e o valor de mercado saltou mais de R$ 30 bilhões.

Somente nesses 12 meses, os irmãos Joesley e Wesley Batista, que controlam a empresa com 42% das ações, viram o valor de sua participação aumentar em mais de R$ 13 bilhões. O BNDES, que também é um grande acionista, com uma fatia de 21%, ganhou outros R$ 6,7 bilhões. O restante da valorização beneficiou os minoritários na bolsa.

O desempenho dos papéis da JBS, empresa que ficou marcada pela delação premiada de seus acionistas controladores, também é expressivo quando se analisa apenas 2019. Enquanto o Ibovespa se valorizou pouco mais de 8%, as ações da companhia subiram mais de 75%, com ganho de R$ 24 bilhões em valor de mercado nos quatro meses iniciais do ano. A segunda colocada da lista neste ano é a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), cujas ações subiram quase 70%.

 

Apesar de toda essa valorização, os investidores ainda podem ganhar muito com a JBS. Essa é a avaliação do vice-presidente financeiro e diretor de relações com investidores da companhia, Guilherme Cavalcanti. Em uma de suas primeiras entrevistas desde que foi contratado pela JBS, em meados de janeiro, o executivo, conversou com o Valor Investe sobre as oportunidades para a empresa e seus acionistas. A entrevista foi concedida antes do período de silêncio que precedeu a divulgação de resultado do primeiro trimestre.

 
 
Guilherme Cavalcanti, diretor financeiro da JBS — Foto: Claudio Belli/valor

Guilherme Cavalcanti, diretor financeiro da JBS — Foto: Claudio Belli/valor

“Ainda tem bastante 'upside' (potencial de alta) para o investidor de ações”, defendeu Cavalcanti. Olhando para os negócios da JBS ao redor do mundo, a China oferece uma oportunidade como poucas vezes se viu no comércio global de carnes. Explica-se: o vírus da peste suína africana se espalhou pelo país asiático, provocando o sacrifício de milhões de animais.

 
 

De acordo com analistas, a doença deve provocar um corte de mais de 25% na produção de carne suína da China. Para a JBS e também outros concorrentes no mundo, a boa notícia é que os chineses ainda precisam comer. Portanto, a carne terá de ser importada.

 

De olho nessa oportunidade, a JBS está abrindo novos turnos de trabalho em frigoríficos habilitados para exportar aos chineses e investindo na ampliação da produção de frango. A China tem um apetite voraz por pés de frango.

 

Para Cavalcanti, a JBS é a companhia melhor estruturada para abastecer a demanda da China. O executivo destaca o parque fabril da companhia, espalhados pelas Américas, Europa e Oceania. “A JBS montou uma plataforma única”, afirma.

 

Na avaliação do executivo, o parque fabril da companhia é à prova de barreiras comerciais. Hoje, os EUA não conseguem exportar carne bovina para os chineses em razão da guerra comercial protagonizada pelo presidente americano, Donald Trump. Mas a JBS não está dependente dos Estados Unidos, e pode exportar para os chineses a partir de suas operações no Brasil e na Austrália.

“A JBS aproveita ao máximo o comércio de alimentos, independentemente de acordos ou tarifas bilaterais. Os Estados Unidos não exportam para a China, mas exportam para o Japão e para a Coreia”, exemplifica, citando mercados para os quais o Brasil não tem autorização para exportar carne bovina.

 

Outra vantagem em tempos de maior demanda da China é a diversificação de proteína. A JBS, que surgiu na década de 1950 como um açougue, já faz tempo deixou de ser apenas a Friboi. A companhia é a maior produtora mundial de carne de frango e a terceira maior de carne suína, lembra Cavalcanti. Nessa toada, a empresa conseguirá atender aos chineses com as mais diversas proteínas.

 

 

Além da diversificação geográfica e de tipos de carne produzida, a JBS vem reduzindo as dívidas nos últimos trimestre, o que pode se traduzir em maiores retornos para os acionistas, afirma o executivo. Ao reduzir as despesas com juros, a companhia gera mais caixa livre, ressalta Cavalcanti.

 

Entre 2017 e 2018, por exemplo, a JBS reduziu as despesas com juros em cerca de US$ 200 milhões, diz Cavalcanti. O índice de alavancagem, que mede a relação entre a dívida líquida e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) atingiu 3 vezes no fim do ano. A tendência é que, com a geração de caixa deste ano, esse índice caia ainda mais, de acordo com ele.

Diante desse processo de redução do endividamento, o executivo da JBS acredita que os investidores podem encarar a companhia como um negócio de menor risco, dada a atual solidez financeira. Se os investidores tiverem essa percepção, as ações da companhia podem valer bem mais, acredita o executivo 

Bolsa americana 

Cavalcanti toma como exemplo as concorrentes americanas com ações listadas na bolsa de Nova York ou na Nasdaq. As ações de gigantes como a Tyson Foods são negociadas a um múltiplo (relação entre o valor empresarial, cálculo feito somando a dívida e o valor das ações, e o Ebitda) de mais de 8 vezes. Enquanto isso, a JBS é negociada com um múltiplo inferior a 6 vezes.

“A gente ainda está com um múltiplo muito mais barato. Se a gente negociar com um múltiplo do nosso concorrente, a ação poderia dobrar de valor”, ressaltou Cavalcanti.

Para tanto, uma das alternativas é a listagem das ações da JBS na bolsa de Nova York, um plano engavetado em 2017, após a delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, mas que segue no radar da companhia.

 

 

Segundo Cavalcanti, a listagem de ações nos EUA pode ajudar a companhia a ser percebida pelos investidores como uma empresa global, e não mais como um negócio de “país emergente”. Na visão do executivo, isso seria mais justo, por refletir melhor a realidade. Com faturamento superior a R$ 180 bilhões por ano, a JBS gera mais de 80% de seu caixa fora do Brasil.

 

Na opinião do analista do Bradesco BBI, Leandro Fontanesi, as perspectivas para os frigoríficos brasileiros são amplamente positivas devido ao impacto da peste suína africana na China sobre o comércio global de carnes. “Em termos de aumento de preço das carnes, achamos que está apenas no começo”, afirmou o analista.

 

Para as ações da JBS, porém, o potencial de alta é limitado, mesmo porque as ações já subiram de forma expressiva nos últimos meses, segundo o analista. O preço-alvo do Bradesco BBI para as ações da JBS é de R$ 19,00, bem próximo das atuais cotações.

Mas ainda há quem enxergue boas chances de valorização. Há alguns dias, analistas do Morgan Stanley afirmaram em relatório a clientes que “não é tarde” para comprar ações da JBS.

O preço-alvo do banco americano para os papéis da companhia é de R$ 20,50, o que embute um potencial de valorização de 8%. “Acreditamos que os impactos da doença [na China] ainda não são compreendidos”, apontou o analista.

 

O relatório do Morgan Stanley já ajudou a impulsionar os papéis da JBS, mas as ações ainda não atingiram o preço-alvo do banco.

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