Domingo, 21 de Julho de 2019

ESPORTES
Segunda-feira, 04 de Fevereiro de 2019, 09h:19

Rubro-Negro

Fla começa a ganhar cara e se enche de moral para 1ª 'decisão'

Com dois dos quatro reforços no time principal, Rubro-Negro tem a melhor atuação do ano nos 4 a 0 sobre a Cabofriense, e Abel reforça conceitos com o esquema tático em goleada no Maracanã

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DELMIRO JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

Ainda não é a versão final do Flamengo 2019, mas o Rubro-Negro à la Abel Braga começou a apresentar suas credenciais. No sétimo jogo da temporada – incluindo os amistosos da Flórida Cup –, a equipe mostrou maior evolução, teve uma atuação segura e convincente contra a Cabofriense e deixou o Maracanã no último domingo com uma goleada por 4 a 0 e sua melhor exibição sob o comando do treinador. Um combustível e tanto para o Fla-Flu da semifinal da Taça Guanabara.

Foi o primeiro jogo do time considerado principal, em meio ao revezamento deste início de ano, com dois dos quatro reforços entre os titulares: Rodrigo Caio e Bruno Henrique. E ambos se encaixaram como luvas. O zagueiro foi muito seguro nas poucas vezes em que foi exigido na defesa, enquanto o rápido atacante sempre criava perigo quando acionado e voltou a estufar a rede. Os outros dois quando entraram no segundo tempo também mostraram serviço: Gabigol deu uma assistência, e Arrascaeta fez seu primeiro gol com a camisa rubro-negra. 

 
 
Melhores momentos: Flamengo 4 x 0 Cabofriense pelo Cariocão 2019

Melhores momentos: Flamengo 4 x 0 Cabofriense pelo Cariocão 2019

E o quatro do placar foi pouco para o volume de jogo que o Flamengo impôs desde o início, com 53% de posse de bola, 20 finalizações e 12 chances claras de gol. Ou seja, aproveitou só um terço delas. Se tivesse sido perfeito, teria igualado o time de 1956 que aplicou 12 no São Cristóvão, na maior goleada até hoje do Maracanã. A confiança era tanta que multiplicou bicicletas e voleios em campo: Bruno Henrique, Everton Ribeiro, Diego duas vezes... Mas só uma do camisa 10 entrou e virou pintura – será que foi mais bonita do que aquela do Henrique Dourado?

Infiltrações e tabelas perto da área adversária, o que não vinha acontecendo nos primeiros jogos da temporada, foram aos montes. Jogadas bonitas de se ver. Mas será que o Flamengo encaixou de vez? Há que tirar o peso da avaliação pela fragilidade adversária. A marcação da Cabofriense ofereceu muitos espaços e foi a mais frouxa que o Rubro-Negro pegou pela frente neste Carioca. Na frente, o Tricolor Praiano também foi inofensivo e só atacou três vezes, com apenas um perigo de gol. Serão necessários outros testes para provar esse maior entrosamento dos comandados de Abel.

 
 
Bruno Henrique se firmou em seu primeira chance como titular — Foto: André Durão / GloboEsporte.com

Bruno Henrique se firmou em seu primeira chance como titular — Foto: André Durão / GloboEsporte.com

Por falar no treinador, a primeira goleada do ano serviu para ele reforçar conceitos envolvendo o esquema tático. Um deles é de que Willian Arão é peça chave para a equipe e seu homem de confiança em campo, mesmo perseguido pela torcida. E o "time que a torcida pediu", com só um volante e todos os reforços em campo – chamado de "time de índio" por Abel porque só ataca –, não terá vez. Ele chegou a colocar Arrascaeta no lugar de Arão e incendiou o Maracanã, mas deixou a formação apenas sete minutos até sacar Everton Ribeiro para colocar Ronaldo. 

Outras observações: 

 

  • Das vaias aos aplausos: assim como Vitinho, Arão enfrenta certa resistência por parte da torcida e foi o único do time vaiado pelo público no Maracanã durante o anúncio de sua escalação no telão do estádio. Mas o volante não se abateu e mostrou personalidade para transformar as críticas em aplausos quando saiu da partida com um gol e uma assistência para Diego. Em um jogo com pouco trabalho defensivo, ele teve espaço para atacar;
  • Defesa zerada: foi o primeiro jogo oficial do Flamengo sem sofrer gols em 2019. Feito que só tinha conseguido na vitória por 1 a 0 sobre o Eintracht Frankfurt, da Alemanha, em um amistoso da Flórida Cup nos Estados Unidos. A defesa vinha sendo alvo de críticas por causa da média de um gol sofrido por partida no Carioca antes desta rodada, mas parece estar se firmando com a dupla de zaga Rhodolfo e Rodrigo Caio. 
 
 
Atuação de Arão reforça conceito de Abel Braga em manter dupla de volantes — Foto: André Durão/GloboEsporte.com

Atuação de Arão reforça conceito de Abel Braga em manter dupla de volantes — Foto: André Durão/GloboEsporte.com

 

  • A fase dos homens-gol: não é das melhores. Titular, Uribe perdeu três chances claras diante da Cabofriense e tem só um gol na Taça Guanabara. Gabigol, que deu assistência para Bruno Henrique, também teve uma oportunidade cristalina na pequena área, mas errou a cabeçada e segue sem conseguir desencantar com a camisa rubro-negra. Enquanto isso, Dourado, que já fez dois, vê do banco que a titularidade ainda está em aberto.
  • Tem espaço para o Arrascaeta? Uma contratação do nível do uruguaio não é para ser reserva. Mas se Abel bate o pé por dois volantes, e o trio Bruno Henrique, Diego e Everton Ribeiro vai muito bem, obrigado, como encaixar o meia nesse time? Agora, com o fim do revezamento, vai ser a pergunta sem resposta, pelo menos por enquanto. O técnico deu a entender na partida que pode até deixar Bruno Henrique na direita para jogar com o camisa 14 na esquerda. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos...

 

Com a vitória, o Flamengo terminou em primeiro lugar do grupo e vai enfrentar o Fluminense no próximo sábado, às 18h30 (de Brasília) no Maracanã, com a vantagem do empate para ir à final da Taça Guanabara. Será o primeiro jogo eliminatório do Rubro-Negro em 2019 e o primeiro momento de maior pressão em cima de uma equipe que investiu pesado e tem o favoritismo. Os jogadores ganharam folga nesta segunda-feira e se reapresentam na tarde de terça, no Ninho do Urubu.

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