Caldeirão Político

Segunda-feira, 02 de Julho de 2018, 14h:46

Marco ASA

Eu não assisti aos jogos da seleção (Marco ASA) 

Neste momento estou sozinho no escritório. Na empresa em que eu trabalho, todos estão em um salão torcendo eufóricos, gritando a cada lance, reclamando de cada gol perdido. Mas, estou aqui. Sozinho. Sinceramente, não consigo entender como podem torcer tanto para um time que, na verdade, é uma empresa. Uma empresa corrupta, cujos ex-presidentes estão presos ou banidos do futebol.Uma empresa que faz parte de um sistema maior, que é a FIFA, cujos ex-presidentes também foram presos ou investigados.

Alguns colegas, antes do jogo, me disseram que tenho que torcer por “é o Brasil”. Não! Não é o Brasil. O time de futebol do Brasil foi utilizado, durante décadas, para distrair a atenção dos brasileiros.

A Copa de 70 foi a maior ferramenta de propaganda da ditadura militar. A Copa do Brasil, do 7x1, foi utilizada para desconstruir a imagem do governo Dilma. Hoje, durante a copa da Rússia, o congresso corrupto entregou o pré-sal para as petroleiras estrangeiras.

Os vereadores de São Paulo, capitaneados pelo acéfalo Holiday, tirou o direito ao atendimento prioritário de saúde às mulheres que fazem o aborto legal (que foram estupradas ou de fetos acéfalos) e tantos outros desmandos acontecem, acobertados pela euforia da copa.

No mundo, o presidente americano criou o campo de concentração para crianças imigrantes (inclusive brasileiras). E, por aqui, seu seguidor-mor, o Bolsoraro, tem chances de se eleger apesar de nem saber que na Amazônia não tem hiena nem ornitorrinco. Então, queridas amigas e queridos amigos.

Tô sem vontade de gritar “vai seleção”. Fico com a opinião de um amigo: “Putin é tão rico que deve ter comprado a copa pra Rússia”. Grande reação – Depois da copa, China, Rússia e Índia preparam um grande contragolpe contra Trump e sua sanha protecionista. Querem fortalecer os BRICS (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Para isso, pretender forçar o Brasil a tomar decisões unidas, não somente cumprir ordem dos norte-americanos, como acontece hoje com o governo golpista e corrupto de Temer. O mercado e as instituições começam a pensar num “plano B” nas eleições deste ano. Todos entraram num consenso de que Bolsonaro não tem capacidade para gerir um país do tamanho do Brasil e que nenhum candidato à direita tem capacidade de chegar ao segundo turno.

Parece que Ciro Gomes não é tão radical e tem bom relacionamento com o mercado, já que fez parte da equipe que criou o plano real. Se Lula realmente não puder concorrer, pode ser uma opção. Abraços e fiquem com Deus.

Marco ASA é jornalista, publicitário e escritor


Fonte: Jornal do Ônibus

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