Terça-feira, 23 de Julho de 2019

POLÍCIA
Segunda-feira, 08 de Julho de 2019, 09h:20

Tráfico de drogas

Corredor do tráfico de maconha agora é rota da cocaína

Cooperação policial estaria forçando narcotráfico

Correio do Estado

Grandes traficantes de maconha que operam na rota Paraguai-Brasil, via Mato Grosso do Sul, podem estar diversificando a atividade, migrando para o tráfico de cocaína. A hipótese de troca de produto é considerada pela Polícia Federal, que tem observado um crescente aumento de apreensões de cocaína e redução nas interceptações de maconha.

No primeiro semestre deste ano, por exemplo, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal apreenderam 4,04 toneladas de cocaína, contra 3,97 de toneladas de todo o ano passado. No primeiro semestre de 2018 havia sido somente 1,9 tonelada do entorpecente. 

O superintendente regional da PF em Mato Grosso do Sul, delegado Cléo Matusiak Mazzotti, admite que possa haver uma troca de produto no comércio ilegal, com maconha paraguaia de grande escala sendo trocada pela cocaína, também de volumes expressivos. 

Mazzotti atribui a queda nas apreensões de maconha a um trabalho de cooperação mais efetivo entre o Brasil e o Paraguai, tanto em informações de inteligência quanto em operações diretas de destruição de plantações da droga no país vizinho. Hoje há maior parceria com organismos de repressão paraguaios, como a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).

Aliado a isso está o fato de o governo paraguaio ter decidido simplificar e acelerar os processos de expulsão ou extradição de traficantes brasileiros que operam em seu território. Mais de uma dezena de criminosos brasileiros já foi expulsa neste ano. Na semana passada, Franklin André de Paula, procurado por tráfico e homicídios, foi preso em Capitan Bado e mandado de volta ao Brasil.

Números recentes da Federal indicam que no primeiro semestre de 2018 ela registrava a apreensão de 24,1 toneladas de maconha. Neste ano, no mesmo período, são apenas 11,9 toneladas. Uma queda considerada bastante significativa.

Além do trabalho em execução do outro lado da fronteira, o superintendente destaca as ações de repressão da própria polícia brasileira, que tem intensificado a investigação e contenção tanto junto às portas de entrada nas fronteiras com a Bolívia e com o Paraguai quanto nas portas de saída, como portos de Santos (SP), Paranaguá (PR) e Itajaí, por onde a cocaína segue para Europa.

Na prática, de grande produtor de maconha, o Paraguai transformou-se em corredor de cocaína. Grandes carregamentos são levados de avião da Bolívia ao Paraguai e depois entram no Brasil por terra. Para isso, são usados meios diversos, como camuflagens em caminhões-tanque de combustíveis e óleo vegetal, tanques de combustível de grandes veículos e cargas de minérios e outras. 

A fragilidade do controle nas áreas fronteiriças com a Bolívia e o Paraguai acaba fomentando a estratégia dos traficantes. Diante do novo quadro, Mazzotti defendeu a necessidade de um trabalho de cooperação também com a Bolívia, bem como com o Peru e Colômbia. “Mas isso depende de maior vontade política desses países”. 

O superintendente enfatizou que junto a toda estratégia que vem sendo adotada, a preocupação da Federal continua sendo priorizar as ações operacionais que quebrem a estrutura financeira do tráfico, de forma a impossibilitar a sua continuidade de atuação.

No seu entender, de nada adianta apenas fazer crescer o volume de apreensões e permitir que os grupos criminosos continuem agindo. Conforme frisou, quando se atinge a estrutura financeira, a sobrevivência da organização fica comprometida.

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