Sexta-feira, 20 de Julho de 2018

POLÍCIA
Segunda-feira, 09 de Julho de 2018, 16h:32

Primeiro Comandando da Capital

Ordem para decapitar jovem em MS saiu de cúpula nacional do PCC

Mensagens interceptadas pela polícia de SP durante operação Operação Echelon realizado no mês passado em MS e em outros 13 estados

Campo Grande News

Conversas do PCC (Primeiro Comandando da Capital) interceptadas pela polícia de São Paulo mostram que a ordem de decapitar jovem no dia 28 de setembro do ano passado em Mato Grosso do Sul partiu da cúpula interestadual da facção. A data é a mesma do desaparecimento de Leoni de Moura Custódio, 18 anos, encontrado dois dias depois carbonizado e sem a cabeça no aterro sanitário de Campo Grande.

As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de São Paulo com base em mensagens de Sérgio Souza da Silva, chefe da facção que ocupava a função de “Geral da Rua”. Ele é um dos 75 denunciados na Operação Echelon, realizada no mês passado em Mato Grosso do Sul e em outros 13 estados. 

Conversas mostram que os chefes da facção nos estados pedem autorização para executar o crime à Sintonia dos Estados e Outros Países – que chefia interinamente a facção - composto por sete integrantes.

Abaixo da sintonia estava o “Resumo dos Estados”, onde atuava Rafael Silvestri da Silva, o Gilmar, e Adriano Hilário dos Santos, o Kaique.

Os dois eram consultados quando chefes estaduais da facção decidiam matar desafetos e integrantes de grupos como o Comando Vermelho. É assim que Gilmar ordena no dia 28 de setembro de 2017 o assassinato de Leoni, supostamente ligado ao Comando Vermelho em Mato Grosso do Sul, informou o jornal.

“Faz um vídeo e ranca (sic) a cabeça dele fora. Eu quero que ranca a cabeça dele fora”, ordena Gilmar. O subordinado quer ter certeza da ordem e pergunta: Já pode matar então?”. Gilmar responde que sim. “Pode cortar a cabeça dele, é CV confirmado, certo?”

Quatro horas depois, o comparsa telefona para Gilmar e diz que já enviou o vídeo. A interceptação mostra que Gilmar não havia ainda visto o vídeo. “Deixei o outro celular em casa.” E pergunta: “Rancou (sic)”. O comparsa responde que sim. “Da hora, da hora. Vamos pegar o próximo agora.” Em outra oportunidade, Gilmar manda “arrancar o coração” da vítima, “passar o facão”, que o “chicote vai estalar”. “Tira foto para nós”, recomenda o chefe ao subordinado. “Demorô”, responde o comparsa.

Pela sequência de crimes, a última parte da conversa pode estar ligada as mortes de Rudnei da Silva Rocha, o “Babidi”, e de José Carlos Figueiredo, o “Coroa”, todas no final de 2017 onde as vítimas também foram decapitadas.

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