Segunda-feira, 29 de Novembro de 2021

CULTURA
Segunda-feira, 18 de Outubro de 2021, 08h:49

Transcine

Em Campo Grande, Transcine encanta diferentes gerações com cinema mudo

Com a edição “Parques da Cidade”, cineclube Transcine - Cinema em Trânsito - reúne público de diferentes gerações para sessão de filmes mudos e em preto e branco.

Aline Lira

Criado há nove anos com o propósito de democratizar o acesso da população de Campo Grande  à cultura audiovisual, o cineclube Transcine - Cinema em Trânsito - agora, ganha os bairros da capital. É a edição “Parques da Cidade” que, no domingo (17), promoveu mais uma exibição de cinema, desta vez na Praça José Abrão, do conjunto habitacional de mesmo nome, região oeste da cidade.

Foram cerca de 50 minutos de duração de filmes icônicos do início do cinema como a Viagem à Lua (de Georges Méliès), A consequência do feminismo (de Alice Guy), A chegada do Trem (dos Irmãos Lumiére), O Grande Roubo do Trem (de Luís Luñuel e Salvador Dalí). Obras muito apreciadas dentro do mundo audiovisual por conta das contribuições que deram na época, mas, que dificilmente chegam ao grande público.

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Uma sessão que agradou pessoas de todas as idades que, propositalmente ou não, fizeram das cadeiras do Transcine o cenário ideal de lazer para fechar o fim de semana com a família. Como o pequeno Gabriel Lombardi, de 7 anos de idade, que de passagem com a família pela praça, pediu para  assistir a alguns dos filmes.

“Eu fui ao cinema uma vez só. Assisto mais em casa”, disse o menino que é fã declarado dos filmes da Marvel e que apesar de estar acostumado com o colorido das obras da atualidade, não deixou de se encantar com cenas do clássico Viagem à Lua. Ele que já nas primeiras cenas do filme, soltou sua admiração em frases curtas como, “Meu Deus, olha aqui...” seguido, claro, da reação espontânea de uma criança que é apontar com o dedo para aquilo que mais chama a sua atenção.

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Mais ao fundo da sala de cinema à céu aberto, a aposentada Aurélia Delgado, 75 anos de idade, cercada dos netos, filho, nora e irmã, curtiu a exibição com sabor de lembranças. “Eu sou de Bela Vista, do tempo em que ir ao cinema era um acontecimento de família. A gente gostava muito de Carlitos [ator que dava vida ao personagem Charles Chaplin”, recorda ela.

Moradora do bairro há 40 anos, Aurélia não só aprovou o projeto como afirmou ter saído de casa só para para conferir o Transcine “Eu vim para recordar esses momentos e trazer a família. Vem muita coisa bonita na memória. Projetos assim precisam ser incentivados tanto pelo valor da cultura e por um bom motivo para reunir a família como porque o cinema, nos shoppings, não é algo barato. Nem todo pai ou mãe consegue oferecer isso aos filhos com o custo de vida como está”, observa.

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A magia do cinema foi um ingrediente tão presente na plateia do Transcine que houve até quem quis fazer parte de todos os momentos do projeto, ajudando na montagem e desmontagem dos equipamentos como o jovem artista Gabriel Alvarado. 

“Moro no bairro vizinho, Santa Carmélia, e quando soube que ia ter exibição de cinema, fiz questão de participar. Primeiro porque também trabalho com arte e sei da importância de projetos como esse e segundo pelo fato de que ajudando a gente dá a nossa colaboração para algo que é tão bonito e relevante”, afirma.

E a agenda do Transcine não se encerra na praça José Abrão. É que por lá, nos dias 19 (terça) e 20 (quarta-feira) ainda vai rolar a oficina de vídeo para adolescentes, alunos da Escola Estadual Sebastião Santana de Oliveira. De lá, a produção do projeto já se prepara para a terceira rodada de filmes, marcada para acontecer na aldeia urbana Marçal de Souza, nas dependências do Memorial de Cultura Indígena.

“O Transcine sempre realiza suas sessões em parques e bares do centro da cidade. Desta vez, nosso objetivo é atingir um público que, em geral, têm pouco ou nenhum acesso a esses filmes e que seja devido ao alto custo dos ingressos, nos shoppings, acabam não frequentando as salas de cinema”, pontua a produtora cultural e uma das idealizadoras do projeto, Mariana Senna.

A edição parques da cidade, do projeto Transcine - Cinema em Trânsito - foi contemplada com recursos do FMIC - Fundo Municipal de Investimentos Culturais, via edital da Sectur - Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, da Prefeitura de Campo Grande. 

E quem quiser acompanhar o projeto nas redes sociais deve seguir o perfil (@transcinecg) no Facebook e Instagram.

Confira abaixo o roteiro do Transcine para as próximas semanas:

Memorial da Cultura Indígena Cacique Enir Terena

Dias 29, 30 e 31 de outubro

Endereço: Rua Terena, S/N, Bairro Aldeia Urbana Marçal de Souza

 

Parque Ayrton Senna

Dias 12, 13 e 14 de novembro

Endereço: Rua Arapoti, 512, bairro Aero Rancho

 

Parques Jacques da Luz

Dias 26, 27 e 28 de novembro

Endereço: Rua Barreiras, S/N, Bairro Moreninhas II

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