Segunda-feira, 29 de Novembro de 2021

ECONOMIA
Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021, 08h:21

Mais volátil

Os papéis do Pão de Açúcar (PCAR3) apresentaram oscilação de 131,61% em 2021 e preços caíram para menos da metade

Variações podem gerar resultados positivos ou negativos e não significam retornos maiores, explicam especialistas ouvidos pela Forbes.

Forbes

Reuters

Os papéis do Pão de Açúcar (PCAR3) apresentaram oscilação de 131,61% em 2021 e preços caíram para menos da metade

Um levantamento realizado pela Economática a pedido da Forbes aponta que os papéis do Pão de Açúcar (PCAR3) foram os mais voláteis de 2021, considerando o intervalo entre 1º de janeiro de 2021 e último 8 de outubro. Durante o período, a volatilidade das ações foi de 131,61% e a rentabilidade, de 57,86% negativos.

Isso significa que o investidor que detinha uma ação do Pão de Açúcar em 31 de dezembro de 2020 viu a cotação diminuir de R$ 75,09 para R$ 24,60. O valor vai a R$ 28,87, se considerado o fechamento da Bolsa de quarta-feira (20).

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Para calcular a volatilidade, os especialistas consideram o desvio padrão com base na maior e menor cotação atingida por um papel durante um determinado intervalo de tempo. Quanto maior for essa porcentagem, maior é a oscilação do ativo.

Altas volatilidades podem assustar os investidores. Paula Zogbi, analista da corretora Rico, explica que o termo é utilizado para caracterizar ações que sobem e descem com muita força e frequência. “Isso vale para todos os tipos de ativos, desde cotas em fundos de investimento à marcação a mercado [variação nos preços dos títulos dos tesouros públicos] na renda fixa”, diz.

Ser volátil não significa produzir retornos maiores, mas gerar mais risco, já que as oscilações podem gerar resultados positivos ou negativos. Zogbi afirma que, ainda que os papéis com maiores variações não rendam necessariamente mais, o investidor aceita a volatilidade em sua carteira porque busca de uma rentabilidade maior.

As ações da Méliuz (CASH3), por exemplo, ficaram em segundo lugar no ranking das mais voláteis do ano, com variação de 90,90%. Sua rentabilidade, porém, foi de 126,10% no mesmo período em que os investidores enfrentaram as fortes perdas do Pão de Açúcar.

Os papéis do Banco Inter, BIDI11 e BIDI4, ocupam, respectivamente, o terceiro e quarto lugar na lista dos ativos de maior volatilidade, e, a exemplo das ações da Méliuz, registraram rentabilidade positiva. BIDI11 oscilou 72,52% e teve retorno de 52,5%, enquanto BIDI4 teve volatilidade de 72,1% e valorização de 53,3%.

Segundo Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo, a volatilidade está relacionada à liquidez. Ou seja, quanto menos líquido é um ativo, mais volátil ele tende a ser. Isso acontece porque quando há baixa liquidez há menos compradores para os possíveis vendedores. Assim, o papel oscila mais após negociações de grandes volumes.

O especialista cita como exemplo os papéis da Petrobrás, que apresentam alta liquidez e têm muitos compradores interessados. Sendo assim, caso um investidor queira vender grandes quantidades dos ativos, acaba fazendo isso sem baixar muito o preço das ações, pois há demanda.

Já em papéis de baixa liquidez, há menos investidores aguardando uma oportunidade de compra. Então, para vender grandes quantidades de ações, cada papel pode ter a cotação desvalorizada em muitos centavos. É essa redução de preço que causa as grandes oscilações.

“O mercado brasileiro não é grande comparado com mercados globais. Por isso um ativo que tem baixo volume de negociação tem maior volatilidade”, afirma. No caso do Pão de Açúcar, por exemplo, Madruga relembra mudanças na gestão da empresa e saída do Grupo Casino como investidor como alguns dos motivos para a grande volatilidade do papel neste ano. Esses acontecimentos podem ter feito outros investidores desejarem liquidar grandes quantidades de ações, afetando a cotação do papel e tornando-o mais volátil, diz ele.

Madruga afirma que os papéis costumam ter maiores oscilações nos primeiros anos após um IPO. “Nesse período, o mercado ainda está entendendo os resultados [da companhia]. Empresas mais velhas na Bolsa costumam ter maior previsibilidade de preços”, diz.

As mais voláteis de 2021

Varejistas e bancos compõem a lista de papéis que tiveram as maiores oscilações no período analisado pela Economática.

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