Camelódromo: dignidade e qualidade de vida. De camelôs a pequenos comerciantes

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Um marco da cidade e ponto de referência, o Camelódromo é símbolo da transformação por que passou Campo Grande rumo ao futuro. De uma situação de insalubridade, insegurança e precariedade, os vendedores autônomos transformaram-se em pequenos empresários, organizados, pagadores de taxas municipais e com plenas condições de planejar o seu pequeno negócio.

“Na época das ruas era uma situação muito difícil, perdia-se muita mercadoria, mal dava para a gente sobreviver. A gente sobrevivia, era realmente muito difícil. Guardávamos os produtos em um depósito que fizemos embaixo do pontilhão”, lembra o comerciante Idelvan Bizaria da Silva, 59 anos, que atualmente mantém um box, onde comercializa vários produtos, no Centro Comercial Popular, o Camelódromo.

Ele afirma que acompanhou toda a mudança, das ruas da capital para o novo endereço, onde até a denominação profissional mudou completamente: de camelôs, passaram a ser chamados de comerciantes.

“Mudou tudo: a qualidade de vida e também o nosso ganho. Hoje continuo vendendo as mesmas coisas que vendia naquela época, mas agora minha renda é muito maior”, explica ele.

Idelvan diz que na rua havia sempre boatos de que seriam retirados de lá, o que gerava permanente insegurança e medo de perder o ponto de trabalho com o qual sustentava sua família.

“Aqui temos permissão. Aqui tem mais movimento e isso é bom para gente, nas ruas não era todo mundo que comprava, não”, completa.

Ele conta que iniciou a jornada de trabalho como ambulante em 1988. À época a ‘banca’ funcionava na Rua Barão do Rio Branco com a Avenida Calógeras. “Eu começava a trabalhar às 7 horas e parava às 18, hoje chego para trabalhar às 9 horas. Lá nas ruas era uma dificuldade com tudo, para usar o banheiro dependíamos da ajuda dos outros, aqui nós temos essa estrutura. Antes ficávamos debaixo de lona e agora temos um lugar organizado. O Camelódromo foi uma coisa muito feliz que o André fez para gente”, conta.

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De todas as conquistas, Idelvan se orgulha de ter conseguido criar três filhos. “Eles optaram por também trabalhar no comércio, hoje cada um tem sua casa, seu carro e tem a sua vida construída”, diz o comerciante.

Idelvan da Silva também lembra que na época dos ambulantes no Centro da Cidade existiam pontos fixos e algumas ruas eram bem mais concorridas. Geralmente a Rua Dom Aquino e própria Rua 14 de Julho. Então, quem não conseguia espaço nesses locais trabalhava em outros trechos, como na Rua Rui Barbosa, quando havia oportunidade, os ambulantes se deslocavam para as ruas mais centrais e aí a fiscalização impedia a permanência.

Na época, essas investidas eram chamadas de ‘rapa’, pois os ambulantes recolhiam rapidamente as mercadorias para impedir que fossem apreendidas.

Este é caso de Norma de Moraes Lourenço, 59 anos. Ela mantinha com o marido o que ela chama de tripé, onde acomodava a mercadoria. Trabalhava na Rua Rui Barbosa e sempre que possível se deslocava para a Rua Dom Aquino em busca de melhorias nas vendas. “Era muito tenso, por causa da fiscalização. Já tive muito prejuízo, a gente não tinha paz”, reclama.

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Nos tempos das ruas, os ambulantes que não tinham ‘ponto fixo’ precisavam lidar com as investidas da fiscalização e também com os dias chuvosos. “Mil vezes assim como está agora”, diz ao ser questionada sobre o que melhorou após a ida para o Camelódromo. Atualmente, Norma trabalha com o irmão.

Camelódromo

O Camelódromo foi criado na gestão do então prefeito André Puccinelli. Inaugurado em 1998, atualmente tem 473 boxes distribuídos em uma área com quase 5 mil m2. No piso superior também existem 16 salas que oferecem diversos serviços, entre eles o de cabeleireiro.

Pré-candidato

Atualmente, André é pré-candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul e destaca que a criação do Camelódromo teve o objetivo de oferecer um local com estrutura adequada para abrigar os vendedores.

“Ali na Calógeras, Barão do Rio Branco, na Rua 15 de Novembro, existiam centenas de camelôs e eles viviam sempre fugindo, dobravam as ‘banquinhas’ com as mercadorias e corriam ‘lá vem o rapa’, diziam. Eu fiquei motivado em encontrar um lugar que pudesse estabelecê-los bem e ter infraestrutura necessária”, diz o pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul.

Dessa forma, os antigos ambulantes puderam seguir exercendo a atividade que escolheram sem tantas preocupações. “Nós, na prefeitura, ajudamos a organizarem-se a formarem associação e eles evoluíram de tal monta que hoje defendem o pão de suas famílias com mais tranquilidade”, orgulha-se André.

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