Segunda-feira, 29 de Novembro de 2021

POLÍTICA
Sexta-feira, 22 de Outubro de 2021, 09h:00

Cortar despesas

‘É preciso cortar despesas, não furar o teto de gastos’, diz Oriovisto Guimarães

Senador criticou manobra da equipe econômica para obter recursos para viabilizar o Auxílio Brasil e disse que debandada na Economia aconteceu porque ‘profissionais não querem manchar o currículo’

JovemPam

Oriovisto Guimarães acredita que furo no teto de gastos aumentará a inflação e o preço do dólar

O senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), membro da Comissão de Assuntos Econômicos no Senado, criticou nesta sexta-feira, 22, a manobra da equipe econômica para obter recursos para viabilizar o Auxílio Brasil, o programa que irá substituir o Bolsa Família. Para financiar o auxílio, cotado em R$ 400, o governo federal costurou um acordo com o Congresso Nacional para alterar o relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, apresentado na sessão especial da Câmara nesta quinta-feira, 21. Um novo trecho incluído na proposta altera o prazo de correção do teto de gastos, com potencial de abrir mais de R$ 80 bilhões no Orçamento de 2022. A medida desagradou membros do Ministério da Economia, o que resultou no pedido de demissão de quatros membros.Em entrevista ao Jornal da Manhã, o parlamentar defendeu que a Economia tem leis próprias e não pode ser guiada pela vontade dos governantes. “A Economia tem leis próprias, ela não é feita segundo a vontade dos governantes. É mais ou menos como se eu tivesse tratando com a aceleração da gravidade. Não adianta eu querer ‘humanizar’ a gravidade. A gravidade é uma lei da natureza que funciona independente da vontade dos homens. Ontem eu vi um pronunciamento do presidente Bolsonaro dizendo: ‘ Eu vou dar um auxílio para os caminhoneiros eu vou dar os R$ 400. Se vocês aí do mercado resolvem quebrar, o problema é de vocês’. Ele humaniza as leis da Economia como se isso fosse uma questão de vontade. Não é”, afirma Guimarães. Para ele, a decisão de furar o teto de gastos para conceder o auxílio vai aumentar o preço do dólar e fazer a inflação disparar, criando um ciclo vicioso. “O governo não pode furar teto, o governo não pode fazer essas mudanças para dar auxílio para as pessoas. Eu quero que seja dado auxílio para aqueles que passam fome, todos os políticos querem. Mas é como se tivéssemos um mar com um monte de náufragos. Queremos jogar uma boia para eles, mas não podemos jogar uma boia furada. Essa boia que estão jogando é furada, porque em seguida o dólar aumenta, a inflação explode e aquele dinheiro oferecido não vale mais o que valia”, aponta o senador.Ele lembra que a inflação dos gêneros alimentícios é muito maior do que a inflação geral. “Essa pessoa que vai ganhar R$400 vai usar esse dinheiro para o quê? Para comprar comida. Nós precisamos ajudar os que estão passando fome, nos precisamos de um programa robusto, mas temos que fazer isso com responsabilidade”, diz Oriovisto Guimarães. Como solução, o parlamentar cita o corte de gastos, mas admite que alterações do tipo não devem passar no Congresso Nacional. “Nós temos que fazer isso cortando despesas, cortando as famosas emendas de relator, o fundão eleitoral, a despesa dos políticos. Cortando despesas em uma série de lugares que nós estamos desperdiçando dinheiro e, assim, não furando o teto de gastos”, explica. Durante a entrevista, o senador ainda falou sobre a necessidade de uma renovação do Congresso Nacional. ” Se não renovar o Legislativo, ninguém conserta esse país. Esse problema não está só com o presidente Bolsonaro, o Legislativo e o Judiciário também são parte do problema”, afirmou. Apesar disso, Guimarães teceu fortes críticas à gestão de Bolsonaro e Paulo Guedes e disse que debandada na Economia aconteceu porque “profissionais não querem manchar o currículo”. “A política econômica está errada. Esses profissionais que deixaram o Ministério da Economia porque não querem manchar o seu currículo”, opinou o senador, que comparou movimento com as políticas econômicas da ex-presidente Dilma Rouseff (PT). “Eles achavam que o governo não ia poder fazer esse absurdo que é achar que o governo tem dinheiro infinito e pode gastar quanto que. Essa é a nova matriz econômica que a Dilma falava. Ela teve impeachment porque quis fundar uma nova matriz econômica”, finalizou.

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