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Ciclovia Tim Maia teve quatro desabamentos em pouco mais de três anos

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Mais de R$ 40 milhões foram gastos para que cariocas e turistas pudessem pedalar entre o Leblon e a Barra da Tijuca, sobre um costão de pedra que guarda um dos mais belos cenários do Rio de Janeiro. A obra permitiria percorrer grande parte da orla da cidade de bicicleta, do Leme ao Pontal, como cantou Tim Maia, cujo nome foi escolhido para batizar a ciclovia. Pouco mais de três anos depois da inauguração, os 9 quilômetros ficaram mais tempo com interdições que totalmente liberados, e a história da Ciclovia Tim Maia já soma furtos, quatro desabamentos, duas mortes e 16 pessoas denunciadas por homicídio culposo.

Com uma lesão no pé, o então prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes inaugurou o primeiro trecho da Ciclovia Tim Maia, de 3,9 quilômetros, em um triciclo elétrico. Era janeiro de 2016, mas a alegria com o projeto durou poucos meses: no feriado de 21 de abril, a pista suspensa sobre a rocha costeira sofreu seu primeiro desabamento, ao ser atingida por uma onda. A queda de um trecho de 26 metros matou Eduardo Marinho Albuquerque, de 54 anos, e Ronaldo Severino da Silva, de 60 anos, que passavam pelo local. Depois do primeiro desabamento, a prefeitura fechou o trecho do Vidigal a São Conrado, mas, semanas depois, a Justiça mandou interditar também o percurso Leblon-Vidigal.

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Em setembro de 2016, a Prefeitura do Rio inaugurou o segundo trecho, de 3,1 quilômetros, entre São Conrado e a Barra da Tijuca, enquanto o primeiro trecho continuava interditado. A ciclovia soma nove quilômetros se somados os 3,9 km do primeiro trecho, os 2 km da Praia de São Conrado e os 3,1 km do segundo trecho, que também enfrentou problemas com o furto de parte das grades e chegou a ser temporariamente fechado para reparos mais de uma vez.

Em fevereiro de 2018, a ciclovia teve seu segundo desabamento: cerca de 30 metros do segundo trecho, na saída de São Conrado para a Barra da Tijuca, cederam durante um temporal. Sob a gestão de Marcelo Crivella, a prefeitura explicou que uma galeria que passava sob a via se rompeu e encharcou o solo, provocando o afundamento. Após o incidente, a Justiça interditou completamente a ciclovia a pedido do Ministério Público.

Em janeiro deste ano, um perito designado pela Justiça avaliou que a ciclovia poderia ser reaberta. No dia 25 do mesmo mês, o prefeito Marcelo Crivella gravou um vídeo em que testava a segurança da ciclovia e afirmava que estrutura havia sido reforçada para resistir ao impacto das ondas. Passou apenas uma semana, e chuvas fortes causaram o terceiro desabamento. No início de fevereiro, um deslizamento de terra derrubou outra parte da via na Avenida Niemeyer, na altura de São Conrado.

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Problemas

Apesar de ter sido construída em um costão de pedra entre o mar e montanhas na orla carioca, a Ciclovia Tim Maia deve um desabamento durante uma ressaca, dois colapsos em episódios de chuva forte e um trecho que não resistiu a um deslizamento de terra.

Em um relatório divulgado em março de 2017, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) do Rio de Janeiro apontou sinais precoces de deterioração, causados por falhas na construção. A apuração foi iniciada em função da tragédia que deixou dois mortos, em 2016, e o Crea disse em 2017 que a causa desse primeiro desabamento foi o impacto da onda, de baixo para cima, que virou as bandejas sobre a qual a ciclovia passava. Essas bandejas estavam apenas posicionadas sobre os pilares, sem fixação.

Na época, o Crea identificou que a maioria dos blocos de fundação da ciclovia apresenta fissuração considerável devido à incompatibilidade dos materiais com o ambiente agressivo. “Essa degradação comprometerá a integridade e a segurança da estrutura em curto prazo”, alertava o texto.

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