Flutuação de ocorrências

Segundo o biólogo Airton Vinholi, também consultado pela reportagem do Jornal Midiamax, em grandes cidades, é comum haver “flutuações de ocorrência, como aspecto de infestação, mas isso ocorreria em pontos distintos dos municípios”.

Segundo ele, “os grandes formigueiros não aparecem de uma ‘hora para outra’. De forma geral, alguns podem demorar anos a aparecer, quando são maduros, fruto de um complexo modelo subterrâneo de construção desses animais”.

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Porém, em áreas urbanas, a presença massiva dos insetos causa um contratempo, pois podem ocasionar picadas, transmitir doenças e até mesmo abalar estruturas de construções prediais. Além disso, representam grande perigo em áreas hospitalares.

Já o professor Longo destacou que “em ambientes hospitalares elas podem disseminar bactérias, podem migrar, passar por objetos ou locais contaminados e levar para outros compartimentos”. Ele ressaltou ainda que há pesquisas realizadas na Universidade Estadual Paulista (Unesp) que confirmam tal fato.

Riscos estruturais

O biólogo Vinholi reforça que grandes formigueiros podem causar ainda riscos estruturais, “como aconteceu em uma praça no Bairro Panamá, onde um poste caiu por causa de um formigueiro gigante de Atta sp. (conhecida como formiga saúva)”.

Nos parques, a presença dos formigueiros espanta moradores, que têm receio de serem picados, principalmente no caso de crianças, que são as maiores usuárias das áreas naturais, como em campos e em parquinhos.

“É até perigoso para uma criança estar brincando nessas praças e o chão ceder, pois as formigas criam um labirinto subterrâneo de ninhos”, disse o jardineiro Celso da Silva, de 50 anos, que cuida de residências e praças na região do Jardim Paulista.

Questionada sobre a existência de algum estudo a respeito da situação atual da presença das formigas em áreas urbanas do município e seus impactos, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou que a Coordenadoria de Controle e Zoonoses (CCZ) não possui nenhum estudo ou levantamento em relação à presença destes animais em canteiros ou praças públicas.

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“A manutenção dos mesmos é feita pela concessionária responsável pela conservação e asseio (Solurb), Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos e por empresas particulares conveniadas ao PROPAM (Programa de Parceria Municipal). Em alguns pontos é realizada a remoção e controle químico dessas colônias”, diz a nota da Sesau.

Tipos de formigas

As formigas são comuns em todos os biomas e são base da cadeia alimentar para vários grupos da fauna. A ausência de grandes predadores em ambientes urbanos (como tamanduás) pode explicar, em parte, a abundância de formigas em Campo Grande.

Segundo o biólogo, a maioria das espécies que ocorrem em meio urbano em Campo Grande é nativa. Ele explica que o grupo das formigas, dentro classe dos insetos, é um dos que possui maior biodiversidade. São inúmeras famílias, gêneros e espécies. No bioma cerrado essa diversidade de fauna de formigas é profundamente acentuada.

“Assim, é preciso que haja um levantamento das principais espécies que, nesse momento, estão causando tamanha infestação. Contudo, as espécies do gênero Atta (saúva) e Acromyrmex (cortadeira) costumam ser muito comuns”, destacou.

“Pode haver possíveis desequilíbrios locais, uma vez que algumas espécies cortadeiras, comuns em infestações como os que estamos observando, danificam as raízes de plantas, causando uma cadeia de prejuízos às comunidades biológicas locais. Contudo, os maiores prejuízos costumam ser observados nas lavouras e outros ambientes rurais” explicou o biólogo.

Ele relembra que em meados de 2017, houve uma infestação de saúvas. “Tivemos em Campo Grande extensos ninhos de formigas saúvas, que são cortadeiras e comumente observadas em ambientes rurais, conhecidas inclusive como pragas agrícolas”, conta.