Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, divulgados nesta quarta-feira (25), revelam que 26% das meninas entre 13 e 17 anos no Brasil já foram vítimas de alguma forma de assédio sexual. O número é mais que o dobro do registrado entre meninos (10,9%). No total, 18,5% dos estudantes disseram já ter passado por situações como toque, beijo ou exposição do corpo sem consentimento.
A pesquisa foi realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação, com alunos do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, das redes pública (84,3%) e privada (15,7%). O levantamento inclui jovens de 13 a 17 anos e reúne indicadores sobre saúde, comportamento, violência e ambiente escolar.
Na comparação com 2019, houve aumento de 3,8 pontos percentuais no total de adolescentes que já sofreram assédio sexual. Esse crescimento foi mais acentuado entre meninas (5,9 p.p.) e estudantes da rede pública (4,2 p.p.). A ocorrência também é maior entre adolescentes mais velhos: 20,9% entre 16 e 17 anos, contra 17,1% entre 13 e 15 anos.
Entre os cerca de 1,1 milhão de adolescentes que relataram relação sexual forçada, a maioria afirmou que a violência ocorreu aos 13 anos ou menos. Os dados indicam que a violência sexual atinge boa parte dos estudantes.
A pesquisa também reúne informações sobre outros aspectos da vida dos adolescentes, como bullying, saúde mental, consumo de substâncias, hábitos alimentares e acesso a recursos escolares, permitindo observar tendências em diferentes áreas.
Bullying nas escolas
Os dados mostram que 27,2% dos estudantes relataram ter sofrido bullying duas ou mais vezes nos 30 dias anteriores à pesquisa, enquanto 59,7% afirmaram não ter passado por esse tipo de situação. Em 2019, o percentual de vítimas recorrentes era de 23,0%, indicando aumento ao longo do período.
As meninas apresentam maior proporção de vitimização, sendo que 30,1% disseram ter sido humilhadas ou provocadas repetidamente, contra 24,3% dos meninos. Por outro lado, 62,7% dos meninos e 56,7% das meninas afirmaram não sofrer bullying.
Quanto à prática, 13,7% dos estudantes admitiram ter cometido bullying nos 30 dias anteriores à pesquisa. O comportamento é mais frequente entre meninos (16,5%) do que entre meninas (10,9%), enquanto o percentual de vítimas é quase o dobro do de agressores.
Cyberbullying
O bullying nas redes sociais atingiu 12,7% dos adolescentes, o equivalente a cerca de 1 em cada 8 estudantes. As meninas também são maioria entre as vítimas, com 15,2%, perante 10,3% dos meninos.
A incidência é maior entre alunos da rede pública (13,4%) do que da rede privada (9,4%), indicando diferença associada ao tipo de escola. Os dados apontam influência de fatores como gênero e contexto escolar na exposição ao problema.
Em relação à prática, 10,0% dos estudantes admitiram já ter praticado cyberbullying. Assim como no bullying presencial, há mais vítimas do que agressores declarados, e o comportamento é mais frequente entre meninos (11,6%) do que entre meninas (8,4%).
Tempo de tela e atividade física
Mais de um terço dos estudantes passa mais de duas horas por dia assistindo a filmes, séries ou programas. Além disso, 44,5% relataram permanecer sentados em outras atividades por períodos prolongados.
Quanto à atividade física, 9,7% dos adolescentes são considerados inativos, 58,4% insuficientemente ativos e 30,6% ativos, segundo o tempo acumulado na semana anterior.
Apesar de mais de 90% terem acesso a aulas de educação física, apenas 68,0% têm acesso a equipamentos adequados, com menor disponibilidade na rede pública (62,7%).
Consumo de substâncias ilícitas
Entre 2019 e 2024, houve redução no consumo de cigarro, álcool e drogas ilícitas. No entanto, o uso de cigarro eletrônico apresentou aumento expressivo.
A experimentação de cigarro eletrônico passou de 16,8% para 29,6%. O percentual é maior entre meninas (31,7%) e estudantes da rede pública (30,4%). As regiões Centro-Oeste (42,0%) e Sul (38,3%) apresentam os maiores índices.
O consumo recente desse produto aumentou mais de 300%, enquanto o uso de narguilé caiu de 23,8% para 10,6%. A experimentação de álcool atingiu 53,6%, e a de drogas caiu para 8,3%.
Saúde sexual
O percentual de estudantes que já tiveram relação sexual caiu de 35,4% em 2019 para 30,4% em 2024. Entre os que iniciaram a vida sexual, 61,7% usaram preservativo na primeira relação.
Um em cada três adolescentes que já tiveram relação sexual afirmou ter utilizado a pílula do dia seguinte. Entre as meninas, 121 mil já engravidaram, o que corresponde a 7,3% desse grupo.
A maioria dessas adolescentes (98,7%) está na rede pública, indicando concentração do indicador nesse segmento.
Violência e segurança
Em 2024, 12,5% dos estudantes deixaram de ir à escola por falta de segurança no trajeto. O percentual na rede pública (13,8%) é mais que o dobro da rede privada (5,4%).
O envolvimento em brigas físicas aumentou 0,6 ponto percentual, com maior incidência entre meninos (15,8%) e alunos da rede pública (11,7%).
Os dados reforçam o crescimento da violência, incluindo o aumento de 3,8 pontos percentuais nos casos de assédio sexual em relação a 2019.
Pobreza menstrual
Entre as adolescentes, 15,3% faltaram à escola ao menos um dia no último ano por falta de absorvente. Na rede pública, o percentual chega a 16,9%, mais que o dobro da rede privada (6,4%).
Os dados indicam impacto direto da falta de itens básicos de higiene na frequência escolar.
A diferença entre redes evidencia desigualdade no acesso a recursos essenciais.
Saúde mental e percepção corporal
A satisfação com a imagem corporal caiu ao longo dos anos, chegando a 58,0% em 2024, perante 66,5% em 2019 e 70,2% em 2015. Outros 27,2% se declararam insatisfeitos.
O sentimento de tristeza frequente foi relatado por 28,9% dos estudantes, abaixo dos 31,4% registrados em 2019. Já 49,7% disseram se preocupar frequentemente com questões do dia a dia.
Indicadores mostram ainda que 26,1% sentem que ninguém se preocupa com eles, e 18,5% relataram percepção negativa sobre a própria vida. A ausência de amigos próximos aumenta com a idade, passando de 3,9% entre 13 e 15 anos para 5,5% entre 16 e 17 anos.
*Com informações do IBGE.
Jornal Midiam



















