(Publicamente, base de apoio a Riedel vem cantando vitória,mas nos bastidores esta certeza já começa a sofrer abalos)
As pesquisas que começaram no ano passado e continuam ainda apontando a liderança absoluta de Eduardo Riedel (PP), são as mesmas que antes alimentavam comemorações antecipadas de seus apoiadores e agora passam a gerar preocupações. O governador não entrou na onda puxada pelos bajuladores de plantão e ficou fora do “já ganhou”, primeiro porque este não é um comportamento de seu feitio e, segundo, pelos números de pesquisas publicadas ou de consumo interno mostrando que nem tudo são flores no jardim das intenções de voto dos sulmatogrossenses.
Para se reeleger já no 1º turno, Riedel sabe que precisará ter metade mais um dos votos válidos (51%). É uma condição que chegou a ostentar com folga durante seguidos meses. No entanto, os levantamento no final do 1° semestre começaram a exibir um quadro nada alvissareiro para Riedel e os nove partidos que o carregam. É que as intenções de votos da concorrência, somadas, encostam nestes 51%. A campanha mal começou e ainda faltam mais de 50 dias para a votação. É um tempo suficiente para que novas águas passem sob a ponte, arrastando sortes e azares que aparecerem.
Para quem entende do riscado e opina sem paixão, Riedel já atingiu os limites máximos de preferência eleitoral, sendo improvável novo crescimento. Na direção contrária, seus rivais, especialmente o segundo e o terceiro, Fábio Trad (PT) e João Henrique Catan (Novo), escalam alguns degraus acima. O petista, por sinal, é quem mais está subindo nesta escadaria. Talvez por este cenário esteja uma das razões que levaram – e “levaram” mesmo – o senador Nelsinho Trad (PSD) a abortar sua pré-candidatura à reeleição para ficar com a primeira suplência do ex-governador Reinaldo Azambuja.
AS PEDRAS NO CAMINHO – Uma das dificuldades eleitorais que Riedel enfrenta – e não há tempo, muito menos condições legais e financeiras para resolvê-la – é o conjunto de situações que deixou insatisfeita a massa de funcionários públicos estaduais. A categoria está descontente com o governo Riedel, entre outras coisas, por causa de uma política salarial cujos padrões de remuneração instalam incômoda e perversa desigualdade, criando castas com faixas salariais mais elevadas para uma minoria.
O reajuste da gestão Riedel só veio em março deste ano, com 3,81%, considerado insuficiente pelos sindicatos, que apontaram o índice como um achatamento do poder de compra em vez de uma reposição real da inflação. Há outros focos de reclamações. Os servidores, após mais de duas décadas de satisfação com a cobertura médico-hospitalar da Caixa de Assistência (Cassems), hoje se levantam contra o plano de saúde. A causa: um reajuste de 1.185% na contribuição fixa dos cônjuges, que passou de R$ 35,00 para R$ 450,00 por mês. O governo apoiou a medida.
Para ter a cobertura previdenciária, os servidores públicos estaduais da ativa são descontados todo mês em 14% de seus salários. Esta é a alíquota aplicada de forma integral sobre a base de cálculo da remuneração paga aos servidores vinculados ao MSPREV (Mato Grosso do Sul Previdência), que é administrado pela Agência de Previdência Social (Ageprev).
No dia 24 de abril deste ano, o portal conexãopgnews publicou esta matéria: “O atual governo de Mato Grosso do Sul, sob a batuta de Eduardo Riedel, parece ter dominado a arte da propaganda política em detrimento da gestão humanizada. Enquanto peças publicitárias tentam vender a imagem de um gestor que prioriza o funcionalismo público, os números e a revolta nos corredores do Parque dos Poderes contam uma história bem diferente: a de um projeto de continuidade que aprofunda o abismo salarial iniciado na gestão de seu antecessor e padrinho político, Reinaldo Azambuja”.
Em seguida, enfatiza: “A estratégia de marketing da valorização não é nova. Durante os oito anos de Reinaldo Azambuja, os servidores amargaram períodos de reajuste zero ou índices que mal cobriam a inflação acumulada. Riedel, que foi peça-chave daquela engrenagem como secretário, herdou e refinou essa política de migalhas. Recentemente, o envio de um projeto de lei com reajuste de apenas 3,81% — índice inferior ao aumento do salário mínimo — foi recebido como um tapa na face de categorias que acumulam uma defasagem salarial superior a 40% em alguns setores”.
E mais: “Estima-se que as dívidas dos servidores sul-mato-grossenses ultrapassem a cifra astronômica de R$ 7 bilhões, valor que equivale a quase um ano de toda a folha salarial do Executivo. Mais de 42 mil famílias vivem hoje reféns de juros abusivos e empréstimos consignados, empurradas para o abismo pela falta de uma política salarial real”.
SEGURANÇA – Igualmente impactantes são as queixas que ecoam nos quartéis e ambientes civis da segurança pública, dirigidas à defasagem remuneratória frente à inflação e à posição desfavorável dos vencimentos da base (como soldados e policiais civis). Associações e sindicatos (como o Sinpol-MS) argumentam que a falta de valorização financeira sobrecarrega os agentes, gerando desgaste físico e mental pelo acúmulo de funções ou busca por rendas alternativas nas folgas.
A propósito: Mato Grosso do Sul possui forte exigência de jornadas de 40 horas semanais para grande parte do funcionalismo estadual, refletindo uma cultura de mercado influenciada pela alta carga horária média do setor privado local no Centro-Oeste. A lista de protestos inclui também o auxílio-alimentação da Polícia Militar, há 13 anos “congelado” em R$ 100 mensais. Isto mesmo: é o valor que vigora sem reajustess desde 2013, por meio da Lei Complementar 127/2008.
No dia 10 de fevereiro deste ano a Associação e Centro Social dos Militares Estaduais e Pensionistas de Mato Grosso do Sul (ACS) informou, em nota oficial, que defendia a correção do valor do vale-alimentação. “A simples recomposição do valor original levaria hoje o benefício a um patamar aproximado de R$ 320,00, apenas para manter o mesmo poder de compra da época de sua implementação”, frisou a entidade.
Além dos próprios integrantes das forças subordinadas à Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a sociedade vem cobrando Riedel para que convoque os candidatos aprovados em junho último no concurso para a Polícia Civil. São 477 homens e mulheres, 330 habiliotados para o quadro de investigadores e 117 escrivães. Riedel disse que não convocou ainda porque a lei eleitoral proíbe e prometeu editar o ato no início de 2027 – evidentemente, se for reeleito.













