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Saúde usada como moeda de pressão: Justiça mantém preso ex-prefeito acusado em esquema milionário

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O maior escândalo de corrupção investigado nos últimos anos em Mato Grosso do Sul continua produzindo novos desdobramentos na Justiça. Nesta quarta-feira (5), o Judiciário manteve a prisão preventiva do ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos, apontado pelo Ministério Público como integrante da organização criminosa investigada na Operação Gutenberg.

A decisão foi publicada no Diário da Justiça e rejeitou o pedido de liberdade da defesa. Para o juiz da 2ª Vara Criminal de Competência Residual de Campo Grande, a prisão continua necessária “para a garantia da ordem pública”.

O ex-prefeito, que atualmente exercia o cargo de escrivão da Polícia Civil, com salário de aproximadamente R$ 9,5 mil, permanece afastado da função desde que foi preso durante a operação.

Esquema milionário

Junior Vasconcelos tornou-se réu após a Justiça receber a denúncia do Ministério Público que aponta a existência de uma organização criminosa acusada de desviar cerca de R$ 27 milhões dos cofres públicos por meio de contratos envolvendo saúde e educação em diversos municípios sul-mato-grossenses.

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Segundo a acusação, o ex-prefeito recebeu transferências via Pix da Editora Avante, empresa apontada como núcleo financeiro do esquema investigado.

As investigações indicam que o grupo era articulado pelo ex-chefe da Coordenadoria Estadual de Regulação (Core), Ed Carlo Britto Burgatt, que teria utilizado o controle sobre a liberação de consultas, exames, cirurgias e outros procedimentos de saúde para pressionar prefeitos a contratar a Editora Avante.

Conforme a denúncia, o acesso da população a serviços essenciais de saúde teria sido transformado em instrumento de influência para favorecer contratos milionários.

Organização criminosa

A Operação Gutenberg, deflagrada em 7 de julho de 2026, revelou uma estrutura que, segundo o Ministério Público, envolvia empresários, agentes públicos, advogado, ex-prefeito e integrantes do chamado clã Jafar.

Ao todo, 16 pessoas foram denunciadas. Quinze tiveram mandados de prisão cumpridos, enquanto um dos investigados permanece foragido.

Entre os réus estão empresários, servidores públicos, o ex-chefe da regulação estadual de saúde e membros da família apontada como responsável pelo controle da Editora Avante, empresa que firmou contratos milionários com diversas prefeituras.

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Corrupção que atingiu áreas essenciais

Para os investigadores, o esquema não se limitou a fraudes em contratos públicos. A acusação sustenta que a estrutura criminosa teria explorado justamente duas das áreas mais sensíveis da administração pública: saúde e educação.

Enquanto pacientes aguardavam procedimentos médicos, prefeitos eram supostamente pressionados a contratar a editora investigada. O caso expôs um modelo que, segundo o Ministério Público, utilizava a máquina pública para garantir vantagens financeiras ao grupo.

Com a manutenção da prisão de Junior Vasconcelos e o recebimento da denúncia contra os investigados, a Operação Gutenberg avança para uma nova fase judicial. O processo poderá resultar em condenações, caso as acusações sejam comprovadas ao longo da instrução criminal, consolidando um dos maiores escândalos de corrupção já revelados em Mato Grosso do Sul.

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