Nesta terça-feira, 18, o Bioparque Pantanal, em Campo Grande, foi palco do I Simpósio “Vozes Delas – Pantaneiras”. O encontro debateu questões fundamentais sobre gênero, Forças Armadas, Segurança Pública e Poder Judiciário. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) marcou presença no painel de debates matutino, intitulado “Mulheres que Constroem… Mulheres que Inspiram!”.
Representando o Procurador-Geral de Justiça, Romão Avila Milhan Junior, a mesa contou com a participação da Procuradora de Justiça Ana Lara Camargo de Castro que enriqueceu os debates com sua trajetória e experiência institucional.
A iniciativa nacional foi concebida originalmente por Mariana Queiroz Aquino, Juíza Federal Substituta da 1ª Auditoria da 1ª CJM e embaixatriz do projeto. Esta edição marcou a primeira vez que o evento, de raízes cariocas, foi realizado de forma itinerante na região pantaneira, contando com um corpo de convidadas composto exclusivamente por mulheres referências em Mato Grosso do Sul.
Durante sua participação no debate, a Procuradora de Justiça enfatizou que fenômenos sociais não podem ser compreendidos apenas com as lentes do Direito. Por isso, ao longo de sua vida, buscou formações em História, Ciências Sociais e Saúde Mental.
Em um dos momentos mais reflexivos de sua contribuição, Ana Lara abordou o papel das emoções e a necessidade de romper estereótipos de gênero. Ela desconstruiu o mito de que as mulheres são “emotivas demais”, lembrando que a raiva, uma emoção primária amplamente presente na literatura científica, é frequentemente o motor da violência masculina.
A emoção, segundo ela, não tem gênero, e a sociedade precisa reconfigurar o espaço das emoções, permitindo que as mulheres ocupem lugares de assertividade historicamente destinados aos homens.
Ao assumir pela segunda vez a linha de frente contra o crime organizado, a Procuradora de Justiça deixou uma mensagem clara sobre a ocupação de espaços: as mulheres não devem se resumir apenas às “pautas de mulheres” ou aos cuidados com a infância, mas possuem plena capacidade intelectual e pessoal para transitar, liderar e inspirar em todos os cenários da Justiça e da Segurança Pública.
A Procuradora de Justiça Ana Lara Camargo de Castro resgatou sua trajetória de quase 30 anos no Ministério Público, instituição na qual ingressou em 1997.
Entre os marcos de sua atuação, destacam-se:
Pioneirismo na Defesa da Mulher: Fundou a Promotoria de Violência Doméstica em Campo Grande em 2006, coincidindo com a edição da Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em 2026.
Consolidação de Jurisprudência: Durante os 10 anos à frente da Promotoria, ajudou a construir e levar aos Tribunais Superiores (STJ e STF) grande parte da jurisprudência sobre a Lei Maria da Penha que vigora hoje no país.
Vanguarda no Direito Digital: Antes mesmo da existência de leis específicas, propôs projetos para criminalizar condutas como o stalking (perseguição) e a exposição pornográfica não consentida, trazendo conhecimentos de seu mestrado em Criminal Law nos Estados Unidos.
Combate ao Crime Organizado: Uma das fundadoras do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em 2002. Atualmente, exerce a coordenação do grupo há 5 anos, dedicando-se intensamente à complexidade da cadeia de custódia de vestígios e provas digitais no processo penal.
Texto: Danielle Valentim
Revisão: Rejane Sena
Foto: Decom
Fonte: Ministério Publico MS















